<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615</id><updated>2011-09-28T15:17:21.304-03:00</updated><category term='Três Segundos'/><category term='Vou Ficar Nu Para Chamar Sua Atenção'/><category term='Um Affair Passageiro'/><category term='Separação'/><category term='O Jantar'/><category term='A Pizza O Alter-ego e o Fundo do Poço'/><category term='Dois Lados'/><category term='Papo de Cinema'/><category term='Insipiência'/><category term='O Voyeur'/><category term='Como Dois e Dois São Cinco'/><category term='A Tarde No Café'/><category term='A Menina dos Peitos Grandes'/><category term='Samba Das Saias de Verão'/><category term='A Lavanderia'/><category term='Por Uma Vida'/><category term='Café Vermont'/><category term='Insônia'/><title type='text'>"Contos De Fleming"</title><subtitle type='html'>Contos de Fleming, Por quê?
Uma homenagem ao brilhante personagem Rob Fleming, criado pelo escritor inglês Nick Hornby no livro Alta Fidelidade. 

Mas e esse blog???
Contos descompromissados, fictícios e com uma leve inspiração na realidade...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>19</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-3367353500713695280</id><published>2010-12-19T13:05:00.005-02:00</published><updated>2011-01-01T16:36:48.228-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Por Uma Vida'/><title type='text'>Por Uma Vida</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TQ4d4IIISSI/AAAAAAAAASY/di31xXAatTU/s1600/capa.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="267" n4="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TQ4d4IIISSI/AAAAAAAAASY/di31xXAatTU/s400/capa.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma decepção, por mais curta que seja, pode demorar uma eternidade para cicatrizar. Fazia alguns meses desde que um olhar de &lt;a href="http://contosdefleming.blogspot.com/2010/11/tres-segundos.html"&gt;três segundos&lt;/a&gt; havia acabado com a minha sanidade. A Mariana, Marcelo e Cléber, meus melhores amigos, tentavam me reconectar com o mundo de várias maneiras, me arrastando para shows, peças de teatro, cinema e até palestras motivacionais. Mas nada parecia adiantar, eu era um zumbi brincando de ser sociável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais uma sexta-feira à noite em minha vida. Aquele copo de whisky já estava presente em minha mão. Na vitrola rodava o “Deep In The Night” , o último grande disco da sensacional Etta James. Eu queria ficar sozinho, dentro da minha zona de conforto, onde a única pessoa que poderia me chatear era eu mesmo. Já haviam se passado 40 minutos desde que a agulha fez o primeiro chiado no LP. &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=dMpKWiPx5ig"&gt;“Blind Girl”&lt;/a&gt; encaminhava-se para o seu encerramento quando foi interrompida pelo som ensurdecedor do meu interfone. Eram meus três insistentes amigos, dispostos a mais uma tentativa de me animar. Desci para abrir a porta e a Mariana já foi dizendo que iríamos para uma festa em uma boate da moda. O ingresso era caro, mas ela havia conseguido algumas cortesias com um amigo relações públicas. O preço da entrada não seria desculpa, o que dificultou minha tarefa de inventar algo e me obrigou a aceitar o convite. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pegamos um táxi em frente ao meu apartamento e 10 minutos depois estávamos encarando uma fila que parecia interminável. Eu odeio filas, isso é algo que normalmente me faria trocar de lugar, mas havia prometido para a Mariana que enfrentaria aquela noite. Meia hora se passou e finalmente tínhamos conseguido entrar. O lugar estava lotado, encontrar um canto vazio era um verdadeiro exercício de paciência. Estava me sentindo um velho, não conhecia grande parte das músicas que tocava. Isso só piorava quando eu olhava para o lado e via todo mundo cantando e pulando aquelas canções que só podiam ser hits. Acho que estava vivendo muito tempo com meus vinis. Esse lugar não era feito para mim. Mulheres produzidas artificialmente, bêbadas, dançando uma música ensurdecedora que não deixava uma oportunidade para uma conversa que não fosse feita a base de gritos. Sempre fui tímido, nunca encontrei uma mulher que valesse a pena nesses lugares. Como começar algum tipo de papo nessa situação? O Marcelo tinha uma tese de que o importante era dizer qualquer bobagem para quebrar o gelo. Suas inúmeras tentativas começavam com um “é proibido fumar né?” ou então “o ministério da saúde adverte, fumar faz mal a saúde”. Era impressionante, mas esse tipo de coisa funcionava, para ele é claro. Jamais conseguiria fazer uma coisa dessas. A noite continuava, e eu já estava começando a ficar de saco cheio. A tal da Lady Gaga tocava a todo instante. Pessoas em êxtase, menos eu. Aquilo estava começando a me enlouquecer, gostaria de estar dentro de uma bolha, isolado de tudo. Aproveitei um minuto de distração dos meus amigos e fugi daquilo tudo, sem nem ao menos me despedir, evitando assim alguma possibilidade de convencimento da Mariana. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguns degraus depois e eu estava na frente da boate. Nesse momento o som da Lady Gaga era abafado pelas janelas, que pareciam que iriam quebrar a qualquer instante, dado o volume daquilo. Preparava-me para pegar um táxi de volta para a solidão quando reparei em uma linda morena escorada na parede. Ela parecia não pertencer aquele lugar, passava a impressão de estar tão deslocada quanto eu. A garota tentava ligar insistentemente para alguém, mas o celular dela estava sem sinal. Em um momento de coragem repentina, onde a timidez foi posta de lado, ofereci meu celular emprestado. Maria Luíza, esse era o nome dela. Ela havia se separado das amigas e não conseguia encontrar mais ninguém. O celular foi a desculpa para uma conversa que parecia não ter fim. Ficamos um tempão discutindo sobre o porquê das pessoas adorarem boates como aquela, e claro que não chegamos a nenhuma conclusão. Falamos sobre filmes, séries de TV (ela era uma grande fã de “House”, ganhou muitos pontos nessa), música e até culinária. Não víamos o tempo passar. O papo estava bom demais para ser feito ao lado de bêbados fanfarrões&amp;nbsp;esperando para entrar na festa. Sugeri irmos para outro lugar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Maria Luiza tinha carro, e eu uma ideia. Conhecia uma rua que tinha uma vista incrível, dava para ver a cidade toda de lá. Demorava um pouco para chegar, mas pressa era o que menos tínhamos naquele momento. Entramos no carro e ela colocou um cd para tocar. Era Al Green! Poxa, um dos meus cantores preferidos. Demoramos 25 minutos dirigindo por várias ruas até chegar ao local que eu havia sugerido. A rua ficava no topo de um morro, perto de alguns condomínios de classe média alta. A vista era linda. Aquele silêncio contrastava com o frenesi da noite de sexta-feira. Ela estacionou o carro e ficamos lá conversando, agora com um clima providencial. A gente sabe que uma pessoa faz a diferença quando momentos de silêncio não são constrangedores,&amp;nbsp;e era assim com a Maria Luíza. Nossos olhares já não conseguiam se separar, eram intensos. Em uma curta pausa de conversa, em um ímpeto incontrolável, beijei-a. O Al Green estava cantando &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ICKToz7BLLA"&gt;“Tired Of Being Alone”,&lt;/a&gt; o que parecia adequado para aquele momento. Fazia tempo que me sentia um porto seguro sem nenhum navio para ancorar, até aquela noite. Aquele beijo me fez sentir que havia conhecido uma pessoa e um amor que não duraria segundos, minutos, horas, dias, semanas ou anos, mas sim uma vida inteira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-3367353500713695280?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/3367353500713695280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=3367353500713695280&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/3367353500713695280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/3367353500713695280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2010/12/por-uma-vida.html' title='Por Uma Vida'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TQ4d4IIISSI/AAAAAAAAASY/di31xXAatTU/s72-c/capa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-4350732920296018182</id><published>2010-11-17T00:14:00.005-02:00</published><updated>2010-11-17T09:27:23.342-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Três Segundos'/><title type='text'>Três Segundos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TOM6IhETQGI/AAAAAAAAAR8/kIurZAu1ZhY/s1600/3segundos.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" px="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TOM6IhETQGI/AAAAAAAAAR8/kIurZAu1ZhY/s400/3segundos.jpg" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Edifício Estrella, 189, apartamento 205. Esse era meu destino naquela manhã chuvosa de sábado. A Mariana, minha amiga de mais de 10 anos, morava em um pequeno e aconchegante apartamento. No corredor de entrada, paredes brancas com quadros de filmes antigos do Hitchcock: “Um Corpo Que Cai”, “Os Pássaros” e “Janela Indiscreta”. No centro da sala, que ficava em conjunto com a cozinha para poupar espaço, uma pequena mesa, sempre com um delicioso e quente café a minha espera. Aquele poderia ter sido mais um sábado normal, daqueles em que fico horas e horas conversando com a minha amiga e depois pego um ônibus de volta para casa. Mas não, aquele não era um dia ordinário, naquele sábado eu iria descobrir que três segundos são suficientes para se apaixonar por uma pessoa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passara a manhã inteira bebericando café, beliscando bolachas caseiras e discutindo assuntos de extrema importância com a Mariana. Quem foi o melhor Coringa no cinema, Jack Nicholson ou Heath Ledger? Qual a melhor trilogia de todos os tempos, “Star Wars” ou “Senhor dos Anéis”? O final de “Lost”, genial ou decepcionante? Tínhamos tempo de sobra para falar sobre todas aquelas trivialidades importantes para a gente. Após algumas horas de conversa a Mariana foi me acompanhar até a portaria. Pegamos o elevador, mesmo ela morando no segundo andar, e demoramos exatos 50 segundos até chegar ao térreo. A porta se abre e então eis que a vejo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sorriso discreto! Olhar penetrante! Brigitte Bardot morena! Canção de amor sem fim! Cheiro que hipnotiza! Muitas coisas passaram pela minha cabeça durante os três segundos que pude vê-la. O pouco tempo havia sido suficiente para criar a paixão platônica mais arrebatadora da minha vida. Voltei transtornado para casa. Sentia-me embriagado, mesmo sem ter bebido uma gota de álcool naquele dia. A cidade girava, meus pensamentos idem, tudo estava confuso, não conseguia pensar em mais nada, a não ser naqueles 180 segundos surreais. Cheguei em casa, joguei o casaco na cadeira mais próxima, coloquei um disco da Ella Fitzgerald na vitrola e abri minha garrafa de whisky na tentativa de me acalmar. Enquanto a Ella cantava “I Concentrate On You” fui colocando as ideias no lugar, o que não queria dizer que minha obsessão pela menina do elevador tivesse diminuído. Acabei dormindo o resto da tarde, só acordando à noite. Resolvi ligar para a Mariana e contar sobre os três segundos mais intensos da minha vida...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei quase uma hora no telefone, tentando de alguma maneira expressar em palavras aquilo que eu apenas conseguia sentir. A Mariana escutou tudo com calma e me contou algumas coisas que ela sabia sobre a menina misteriosa. O nome dela era Nina, tinha apenas 19 anos e morava no prédio há pouco tempo, coisa de dois anos. Parece que o pai dela trabalha em alguma multinacional e por isso a família se mudava bastante. Era pouco, queria saber mais sobre ela, mas pelo menos minha obsessão já tinha nome: Nina. Aquelas duas sílabas ecoavam sem parar na minha cabeça, Ni-na Ni-na, Ni-na, Ni-na, Ni-na, Ni-na, Ni-na, Ni-na, Ni-na, Ni-na, Ni-na...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passei a visitar a Mariana com maior frequência. Adorava a ideia de correr o risco de esbarrar com a Nina a qualquer momento. Chegava ao Edifício Estrella de manhã, de tarde, de noite, até de madrugada para ver se a encontrava. Nada! Já se passavam duas semanas desde meu encontro no elevador. Minha impaciência e ansiedade chamavam a atenção dos meus amigos, principalmente da Mariana, que já começava a ficar preocupada até com a&amp;nbsp;minha saúde. Eu poderia muito bem descobrir o apartamento da Nina, bater lá e dizer o quanto ela era importante para mim, mesmo sabendo que ela poderia nem lembrar da minha pessoa, provavelmente me acharia um louco e me expulsaria de lá sem titubear. Mas eu não tinha tamanha cara de pau, era muito tímido, contava com um encontro casual para quem sabe conseguir pronunciar algumas palavras que pudessem fazer aquela menina ter um mínimo interesse por mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um mês se passou, eu estava 5 kg mais magro e não estava me alimentando direito. Minha barba estava toda torta, não tinha mais paciência para apará-la corretamente. As músicas alegres do meu acervo de discos deram lugar a um repertório triste. Ouvia sem parar um álbum do Frank Sinatra chamado “Where Are You”, uma obra temática em que todas as músicas tratavam de desilusões amorosas. Estava no fundo do poço, mas precisava arranjar forças para me reerguer. Resolvi fazer mais uma tentativa. Fui para a parada de ônibus e peguei a primeira condução com destino ao Edifício Estrella. Os 20 minutos de deslocamento foram provavelmente os mais longos da minha vida. Podia jurar que havia passado um dia inteiro sentado naquele ônibus, olhando para o além. Cheguei ao meu destino, desci rapidamente e parei! Lá estava ela!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Nina! Sim, ela mesmo, na frente do edifício, acompanhada de sua família! Quando ameacei dar os primeiros passos em direção ao outro lado da rua me dei conta que um caminhão chegava perto de onde eles estavam. Na carroceria eu apenas li BENITEZ MUDANÇAS. Não, não podia ser, será que ela iria se mudar de novo?! O caminhão já estava carregado, provavelmente deviam ter passado a manhã inteira em função disto. O&amp;nbsp;veículo arranca, Nina e sua família entram em um carro e o seguem. Toda essa cena durou exatos 57 segundos. Um minuto, esse tinha sido o tempo do meu amor platônico. Nunca havia falado com a Nina, não cheguei nem perto disso, mas internamente havia vivido aquele amor de forma intensa. A devastação voltou a tomar conta de mim. De volta para casa uma garrafa de whisky e dezenas de discos de jazz estavam a minha espera. A noite seria longa...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-4350732920296018182?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/4350732920296018182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=4350732920296018182&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/4350732920296018182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/4350732920296018182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2010/11/tres-segundos.html' title='Três Segundos'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TOM6IhETQGI/AAAAAAAAAR8/kIurZAu1ZhY/s72-c/3segundos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-1431801867012736122</id><published>2010-08-25T19:11:00.004-03:00</published><updated>2010-08-25T19:47:08.177-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Insônia'/><title type='text'>Insônia</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/THWUKmXzF6I/AAAAAAAAAPA/ilg90HYRSwc/s1600/insonia.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="315" ox="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/THWUKmXzF6I/AAAAAAAAAPA/ilg90HYRSwc/s320/insonia.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Prefácio: Meu amigo Fabz, do &lt;em&gt;&lt;a href="http://contosdapolpa.blogspot.com/"&gt;Contos da Polpa&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, me lançou um desafio que demorei para aceitar: escrever um miniconto. Este é o primeiro de, quem sabe, vários.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;A batalha pelo sono dura em média duas horas. Os problemas cotidianos passeiam pelo roteiro de pensamentos, normalmente norteando pólos negativos. Gostaria de ter um botão de &lt;em&gt;on&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;off &lt;/em&gt;acoplado na cabeça, desta maneira dormir seria uma tarefa muito mais fácil, demandando apenas o tempo de deslizar o botão em direção ao &lt;em&gt;off&lt;/em&gt;. O quarto é silencioso, mas infelizmente as ideias do momento são barulhentas e tagarelas. As pernas estão sempre inquietas, debatem-se incessantemente. Troco de posição, não adianta. Viro o corpo do avesso, fazendo o sangue circular ao contrário, o alívio é apenas momentâneo. Um exército de relaxantes musculares é chamado. Uma, duas, às vezes três pílulas descem pela garganta, o que garante pelo menos oito horas de descanso ao corpo. Mas a mente continua ativa, e quando ela finalmente cede para o sono é hora de outra batalha: sonhos x pesadelos.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-1431801867012736122?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/1431801867012736122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=1431801867012736122&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/1431801867012736122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/1431801867012736122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2010/08/insonia.html' title='Insônia'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/THWUKmXzF6I/AAAAAAAAAPA/ilg90HYRSwc/s72-c/insonia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-8155335222159153985</id><published>2010-07-28T18:48:00.005-03:00</published><updated>2010-08-01T23:04:51.811-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Insipiência'/><title type='text'>Insipiência</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TFClVTKKGhI/AAAAAAAAAO4/wP3KhpRZ2DE/s1600/insipiencia.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" bx="true" height="302" src="http://2.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TFClVTKKGhI/AAAAAAAAAO4/wP3KhpRZ2DE/s400/insipiencia.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Para Bel, porque você é um observatório que me faz enxergar”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A frase acima estava estampada, com letras que mais pareciam desenhadas de tão caprichadas, na capa da edição usada que eu acabara de adquirir de “Palomar”, do Ítalo Calvino. Eu havia comprado o livro em um sebo do centro da cidade, e devido a enorme pressa não vi a declaração escrita dentro do livro. Mas sinceramente gosto dessas coisas, tenho dezenas de vinis e livros usados com frases das mais diversas, são demonstrações de amor e carinho entre namorados, familiares, amigos e até amantes. Os objetos usados parecem que carregam um sentimento extra, uma energia acumulada ao longo dos anos que faz daquele disco ou livro único em todo mundo. Afinal, aquele exemplar de “Palomar”, com aquela frase, era uma edição que só eu possuía. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A declaração no início do livro só fez sentido depois que comecei a lê-lo. “Palomar” é uma publicação de contos, em que o personagem homônimo, um observador nato, passa a contemplar, devanear e escrever sobre as mais diversas coisas, desde uma simples onda até os belos seios de uma mulher ou o acasalamento de tartarugas. Ele era uma espécie de observatório, assim como a tal Bel, que fazia um provável namorado enxergar. Mas por que será que esse livro foi parar em um pequeno sebo onde só os transeuntes mais atentos e perspicazes entram? Essa era uma pergunta que martelava na minha cabeça. Quem seria Bel? Por que ela se livrou do livro? Será que ela era uma mulher interessante, digna do meu interesse? Dizem que a curiosidade move o homem, e comigo não era diferente. No outro dia resolvi voltar ao sebo em busca de respostas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;José Antônio da Conceição, conhecido popularmente como Zé do Sebo, vende livros, revistas e vinis usados há 20 anos. Seu estabelecimento fica localizado perto do Mercado Público da cidade, em uma rua que apesar de central é pouco movimentada. Ele cativou um público fiel ao longo dos anos, responsável pela constante circulação de materiais disponíveis no sebo. O senhor, no alto dos seus 60 anos, conhece praticamente todos os frequentadores do local, e seria a pessoa ideal para me falar sobre a dona original de “Palomar”. Voltei ao sebo pela manhã bem cedinho para evitar um movimento maior e ter a oportunidade de conversar tranquilamente com o Zé do Sebo. Chegando lá expliquei toda a situação paranóica na qual eu me encontrava, calmamente ele me respondeu que conhecia a Bel e que ela era a sua cliente mais fiel, há anos. O relato a seguir é a curiosa história que me foi passada:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anabel, ou Bel, como ela gosta de ser chamada, é uma pessoa 100% sentimento. A beleza de uma mulher de 1,70 de altura, com cabelos longos e lisos, olhar penetrante e sorriso encantador, esconde uma pessoa extremamente ciumenta, dona de dezenas de relacionamentos frustrados em seu currículo amoroso. Mas o mais estranho estava por vir, já que uma curiosa característica dita a vida dela. Quando um relacionamento termina, ela não consegue manter nada, absolutamente nada em sua vida que a lembre de seus ex-namorados. É nesta parte que entra o Zé do Sebo. Ao longo de 15 anos Bel vem despejando dezenas de objetos por lá, e “Palomar” era apenas mais um livro que ela se livrou após o fim de um namoro. Depois deste último término ela ficou com trauma do Ítalo Calvino e nunca mais leu nada do autor. Essa era uma situação comum na bolha sentimental que envolvia a moça. Bel já gostou muito de Rock, mas quando Marcelo terminou com ela, nunca mais escutou nada do gênero, vendendo sua coleção inteira de discos do Led Zeppelin e dos Beatles. O mesmo aconteceu com o Soul – e lá se vai Aretha Franklin, Otis Redding, James Brown – MPB, Bossa Nova, Blues – vendeu por uma bagatela aquela coleção de dvds do Scorsese sobre o&amp;nbsp;estilo – Samba, Jazz, discos e mais discos de infindáveis artistas foram dispensados graças ao fim de vários relacionamentos. Atualmente Bel está escutando apenas World Music, música do oriente, Tailândia, Coréia do Sul, China, algum desses países, o Zé do Sebo não soube precisar. Pergunto-me em voz alta que tipo de livros será que Bel estaria lendo. O dono do sebo me responde que não tem a mínima ideia, já que ela deixou por lá livros da Agatha Christie, Stephen King, Nick Honrby, José Saramago, Paulo Coelho (esse eu concordo que ela devia se livrar), Truman Capote, Tom Wolfe entre tantos outros escritores. Bel era uma pessoa em constante transformação, sua vida, seus pertences, seus hábitos diários mudavam de acordo com os relacionamentos, e ela nunca voltava a ser como antes. No campo de visão de Bel não podia haver nada que a lembrasse de algum ex-namorado, ex-affair e até ex-ficante, ela enlouqueceria na certa. Fico pensando se não haverá um dia em que ela não terá mais o que fazer, se não chegará um ponto em que qualquer coisa, um simples toque de telefone ou então o inocente ato de ligar a televisão a lembre de algum ex de forma traumática.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de conhecer a história da Bel e matar a minha curiosidade, encerrei minha busca pela dona do exemplar de “Palomar”. Não queria prosseguir com esta história platônica de conhecer a personagem da frase, não tinha o mínimo interesse em encontrá-la pessoalmente, afinal, o risco de ver futuros presentes parados no Sebo do Zé era gigante!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-8155335222159153985?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/8155335222159153985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=8155335222159153985&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/8155335222159153985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/8155335222159153985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2010/07/insipiencia.html' title='Insipiência'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TFClVTKKGhI/AAAAAAAAAO4/wP3KhpRZ2DE/s72-c/insipiencia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-5187452367809845480</id><published>2010-07-11T12:12:00.003-03:00</published><updated>2010-07-11T20:55:10.949-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Separação'/><title type='text'>Separação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TDndel94TnI/AAAAAAAAAOw/wn4rKjhG7MI/s1600/capasep.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="392" rw="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TDndel94TnI/AAAAAAAAAOw/wn4rKjhG7MI/s400/capasep.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Roberto e Elisa viveram um relacionamento de quatro anos. O desgaste proporcionado pelo tempo e as constantes brigas geradas pelo ciúme do rapaz levou a garota a terminar tudo com ele. Porém, a menina ainda tinha um afeto muito grande pelo ex-namorado e uma estranha amizade continuou entre os dois. Quatro meses se passaram desde a separação, e Roberto controlava diariamente o ciúme que sentia por saber que Elisa estava vendo outra pessoa. Hoje o domingo é de sol, e Roberto e Elisa estão no parque, não mais de mãos dadas como faziam antigamente, mas caminhando lado a lado, tentando disfarçar um certo constrangimento da situação:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então Beto, como vai a vida?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, ta indo...e contigo, tudo tranquilo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, já estou melhor daquela gripe que tinha te comentado no outro dia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não era nada sério então?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não não, só um pouco de dor de garganta, mas agora está tudo bem mesmo, não precisa se preocupar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas tu tomou remédio, ta se agasalhando direitinho?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, a mãe estava me visitando e não deixou faltar nada lá em casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Qualquer coisa que precisar tu sabe que pode me ligar, né?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Claro, fica tranqüilo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E o feriado semana que vem, vai ficar por aqui mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Acho que vou visitar minha prima na praia, mas ainda não é certo. E tu?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vou ficar por aqui mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alguma festa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, não sei, não tenho saído muito pra falar a verdade. Ultimamente&amp;nbsp;minha vida é sair de&amp;nbsp;casa&amp;nbsp;para faculdade,&amp;nbsp; faculdade para o estágio, e do estágio para casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Hum....esses dias fui naquele restaurante tailandês que costumávamos ir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Faz séculos que não vou lá, desde que terminamos pra falar a verdade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Hum...Beto...quero saber se tu quer continuar sendo meu amigo ou se é melhor perdermos o contato, sinto muita mágoa quando tu fala comigo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Linda, eu queria ser teu amigo, mas parece que simplesmente nossa amizade não existe, nós quase não conversamos mais, não saímos, não nos vemos, não nos ligamos,&amp;nbsp;e eu confesso que quando eu penso que tu&amp;nbsp;tá com outro eu sinto muita mágoa mesmo, não da para esconder esse tipo de coisa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu sei, mas eu me afasto por achar que é impossível conversarmos e fazermos coisas divertidas juntos, porque sempre vou me achar culpada pelo que aconteceu, talvez isso demore para acontecer Beto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pois é, mas sei lá, podia me ligar de vez em quando, dar um sinal de vida, qualquer coisa. Eu sinto tua falta, mesmo como amiga, mas às vezes se eu não me manifesto parece que eu nem existo mais pra ti.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Claro que existe Beto, tu sabe que foi e é muito importante pra mim. Mas nossas vidas tomaram rumos diferentes, chegamos numa encruzilhada e cada um foi pra um lado. Vamos tentar melhorar nossa relação de amizade, sem muita mágoa Beto, sem provocar ciúmes ou dor, mesmo que seja difícil, ou então vamos nos afastar de vez...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não quero me afastar de ti, mas é que eu fico triste às vezes...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu sei, é por isso que eu sumo, sou culpada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ver fotos tuas com outra pessoa me destrói o coração linda, é triste, mas eu ainda sinto ciúmes...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então é melhor nos afastarmos de vez...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É isso que tu quer?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Se tudo que eu faço te provoca dor não tem porque a gente querer ser amigos, eu nunca vou esquecer tudo que passamos juntos, e não tem nem como comparar o que vivemos com qualquer outro relacionamento, mas pra mim é difícil, me corrói por dentro, me sentir responsável pela dor de alguém...mas não posso fazer nada...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas eu não quero me desligar de ti...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então temos que agir como adultos, nossa relação só vai melhorar o dia que tu me aceitar como amiga, sem esperanças de uma volta...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas eu não tenho mais esperanças, perdi todas...mas isso não implica na relação de eu gostar ou não de ti...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então vamos levando aos poucos, podemos mudar e talvez as mágoas irão embora. Isso não acontece de uma hora pra outra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Independente de tudo, tu sabe que sempre vai rolar uma ponta de ciúmes, apesar de tu ter acabado comigo aposto que seria estranho se tu me visse com outra mulher. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu sei disso...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Enquanto não arrumar um outro alguém vou ficar eternamente preso nessa depressão...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Reserva um tempo pra ti Beto, é o melhor a fazer. Bom, agora eu preciso ir, podemos nos ver amanhã se tu quiser...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Claro...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Até mais então! Beijinho!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Até...tchau...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Roberto não apareceu para encontrar Elisa no outro dia. Depois daquela conversa&amp;nbsp;no parque ele finalmente entendeu que não conseguiria nutrir outro sentimento pela ex-namorada que não fosse o mais puro e intenso amor de homem e mulher. Para ele, a amizade estava fora de cogitação... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-5187452367809845480?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/5187452367809845480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=5187452367809845480&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/5187452367809845480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/5187452367809845480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2010/07/separacao.html' title='Separação'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TDndel94TnI/AAAAAAAAAOw/wn4rKjhG7MI/s72-c/capasep.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-2291674359325867051</id><published>2010-06-30T22:56:00.008-03:00</published><updated>2010-07-06T18:11:43.518-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Voyeur'/><title type='text'>O Voyeur</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TCv092Ql42I/AAAAAAAAAOo/lXyNDlvLbFo/s1600/O+Voyeur.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="292" ru="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TCv092Ql42I/AAAAAAAAAOo/lXyNDlvLbFo/s400/O+Voyeur.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma janela é um olho gigante para o mundo. Do alto do décimo andar do meu apartamento observo diariamente centenas de pessoas correndo para todos os lados. Pela minha visão todas parecem formigas, isso até eu pegar o meu companheiro inseparável, o binóculo. Eu confesso, sou um voyeur, adoro passear meu olhar pelas cenas cotidianas do meu quarteirão. Quando finalmente encontro algo que prenda meu interesse sou capaz de ficar horas e horas, apenas observando o que acontece, mesmo se a ação parecer um filme preto e branco dos anos 40 e não um frenético blockbuster com sei lá quantos frames por segundo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Semana passada vi uma cena curiosa. Um mendigo virou a esquina e lentamente veio empurrando o seu carrinho de supermercado, carregado com diversos objetos que deveriam formar a sua casa móvel. Ele estava bem agasalhado, vestia um casaco alguns números maiores que o necessário, o que no caso era um benefício, já que estávamos no inverno. A calça tinha alguns furos, o que deveria incomodar em dias de forte vento. Porém algo me chamou a atenção, o mendigo usava apenas uma bota, calçada no pé esquerdo. O pé direito estava lá, imundo e sujeito às feridas causadas pela longa caminhada diária que o&amp;nbsp;cidadão deve fazer. Ao entrar na minha rua o mendigo&amp;nbsp;provavelmente andou por uns 300 metros até encontrar uma lixeira. Durante uns dois minutos ele revirou todo aquele lixo, até puxar alguma coisa lá de dentro: uma bota. Ele abriu um enorme sorriso, assim como eu, que também estava feliz por ele ter encontrado algo útil no meio de tudo aquilo. Mas o momento de felicidade durou pouco. Quando o mendigo foi colocar a bota ele constatou que ela era do pé esquerdo, exatamente igual a que ele já tinha. Muito irritado, ele jogou o calçado longe, no meio da rua, quase acertando um carro que passava por lá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro dia vi um casal saindo de uma sorveteria. Ele era magricelo e usava um óculos fundo de garrafa que em nada ajudava a disfarçar o excesso de gel no cabelo e as muitas espinhas na cara. O guri estava usando uma camiseta do "Arquivo X", um número maior do que o necessário, mas estava com um enorme sorriso no rosto. A menina era gordinha, o que não a impedia de usar um vestido preto que alcançava os seus joelhos. O cabelo preto batia nos ombros e o sorriso dela também ia de uma ponta a outra. Vendo assim poderia dizer que era um casal feio, mas analisando novamente o que mais chamava a atenção era a felicidade dos dois, eles se beijavam sem se importar com a sujeira que o sorvete fazia cada vez que os lábios se tocavam. Os dois se encontraram no mundo, formavam um casal perfeito. Existe amor mais puro que esse? Quem sabe só o de um torcedor por seu time de futebol.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem&amp;nbsp;constatei que não era o único observador da rua. Na frente do meu prédio fica uma &lt;a href="http://contosdefleming.blogspot.com/search/label/A%20Lavanderia"&gt;lavanderia &lt;/a&gt;que pertence a um casal chinês. Já fazia alguns dias que havia percebido que um dos clientes olhava incessantemente para uma linda mulher que recentemente começou a frequentar o local. Porém, ontem o rapaz não se contentou em apenas observar, e começou uma sutil perseguição a moça. Meu olhar se perdeu quando os dois ultrapassaram a segunda quadra. Fico imaginando o que aconteceu com esses dois...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje o dia está calmo, a mesma senhora que diariamente visita a padaria está saindo com o seu cachorro de raça indefinida, o marido que deixou a mulher no psicólogo já foi conversar com a moça do café – os dois têm um caso – e agora vejo que a estonteante&amp;nbsp;loira que coloca os pés na minha rua todos os dias às 9 da manhã acaba de aparecer no meu campo de visão. Melhor deixar meu binóculo aqui e descer, afinal, há coisas que é melhor observar de perto!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-2291674359325867051?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/2291674359325867051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=2291674359325867051&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/2291674359325867051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/2291674359325867051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2010/06/o-voyeur.html' title='O Voyeur'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TCv092Ql42I/AAAAAAAAAOo/lXyNDlvLbFo/s72-c/O+Voyeur.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-6369577861032660529</id><published>2010-06-21T19:04:00.006-03:00</published><updated>2011-02-01T12:26:34.998-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Papo de Cinema'/><title type='text'>Papo de Cinema</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TB_hLm55lhI/AAAAAAAAAOg/DfI1OMnKES4/s1600/foto.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="352" ru="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TB_hLm55lhI/AAAAAAAAAOg/DfI1OMnKES4/s400/foto.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chovia muito lá fora. O chiado do vinil reproduzia um dueto de Louis Armstrong e Ella Fitzgerald cantando “Moonlight In Vermont”. Enclausurado dentro do meu quarto, localizado no oitavo andar de um antigo prédio no centro da cidade, pensava no que fazer para evitar o marasmo de uma sexta-feira à noite nestas condições. O relógio em forma de guitarra marcava 11 da noite, um pouco tarde para planos elaborados e que dependessem de companhias. Dadas às circunstâncias resolvi fazer uma das minhas atividades favoritas: a ida solitária ao cinema. Para outras pessoas pode parecer&amp;nbsp;uma tarefa ingrata, principalmente em sextas, sábados e domingos, onde você fica perdido no meio de casais de namorados e famílias com crianças barulhentas, daquelas que adoram confabular durante todo o filme. Mas eu já estava acostumado, a viagem desacompanhada ao cinema provocava reflexões individuais interessantes. Filmes são como uma terapia, é quase como ler um livro de auto-ajuda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para minha sorte um dos poucos cinemas de rua da cidade ficava há apenas três quadras do meu prédio. Ele não apresentava as melhores condições, sua arquitetura antiga e robusta demonstrava o descaso do tempo com o que antigamente era chamado de “Grande Cine Imperial”. Quando cheguei ao meu destino me deparei com apenas uma opção, uma sessão à meia noite de um filme chamado “Mal dos Trópicos”, de um diretor com um nome impronunciável, Apichatpong Weerasethakul. A sinopse do filme era estranha. Na trama, um jovem soldado se apaixona por um camponês, depois um deles desaparece e se transforma em um animal e o outro vai à floresta em busca dele. Muito estranho, parecia uma mistura de “Brokeback Mountain” com “Tayná 2 – A Aventura Continua”. Mas era a única opção para o horário, então resolvi encarar o desafio. Faltavam cinco minutos para o início da sessão quando entrei na sala, praticamente deserta, se não fosse por um casal na primeira fileira e uma jovem sentada em um canto da parte superior. Ela era magra, com uma estatura mediana, cabelos curtos, tocando levemente o ombro. Mas o que chamava mais a atenção eram os olhos verdes e brilhantes, que contrastavam com a escuridão da sala. Sentei na última fileira, mas no canto oposto da bela moça. A sessão iniciou sem mais delongas, sem nenhum trailer ou propaganda antecedendo a exibição. Esse tipo de coisa acontece quando a sessão está vazia. O filme começou, e sinceramente não era o tipo de entretenimento que eu precisava neste dia. Os minutos iam passando e os olhos cansados iam cedendo à tentação do sono. Meia hora se passou quando finalmente encostei a cabeça na poltrona vazia ao lado e adormeci. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordei uma hora e meia depois. Tudo estava escuro, logo ao abrir os olhos não conseguia enxergar um palmo a minha frente. Um silêncio mórbido preenchia a enorme sala. Eu estava sonhando? Não, poderia ser mais descrito como um pesadelo. Eu ainda estava na sala de cinema, eram quase duas horas da manhã, o cinema estava fechado e eu preso dentro daquela sala. Os tempos áureos do Imperial eram coisa do passado, pelo visto até os funcionários acompanharam a decadência e não foram capazes de ver que ao fundo da sala alguém estava dormindo. Puxei o celular do bolso, tentando iluminar alguma coisa a minha frente. Caminhei até a saída e constatei que a porta realmente estava trancada. Para piorar a situação o celular não tinha sinal, chamar por ajuda estava fora de questão. Quando fiz o trajeto de volta para a poltrona vi que eu não era o único na mesma situação. No lado oposto ao meu estava a bela jovem, dormindo. Toquei levemente no seu ombro, tentando acordá-la, e com um susto ela despertou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ahn? O que aconteceu?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olha, tu dormiu durante o filme. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Dormi?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, mas se serve de consolo não foi a única. Eu também dormi e só fui acordar há poucos minutos. Tenho más notícias, estamos trancados aqui na sala.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Como assim trancados? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O cinema fechou, e o incompetente do funcionário provavelmente não nos viu aqui no fundo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Meu Deus, inacreditável!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguns minutos se passaram até que finalmente nos recuperamos do baque e nos acostumamos com a ideia de que teríamos que passar uma noite inteira trancados em uma sala de cinema. Duas pessoas que pareciam habituadas a frequentar aquele ambiente sozinhas estavam desfrutando de algo que não estavam acostumadas: companhia. Com um toque de&amp;nbsp;curiosidade na voz fui indagado:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então, como você conseguiu dormir no filme? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Bah, sinceramente não era o tipo de filme que eu precisava pra hoje. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu também não estava muito no clima, mas era a única sessão disponível. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu precisava sair de casa hoje e cinema é sempre uma das minhas primeiras opções.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pra mim também! Não passo uma semana sem ver algum filme no cinema.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sabe, filmes são meus companheiros. Sempre quando eu preciso pensar na vida, em relacionamentos, pra onde as coisas estão indo, sempre quando me deparo com isso escolho um filme pra me acompanhar. Filmes são como uma terapia, sabe!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Se sei, tenho uma relação parecida. Não só com filmes, mas com livros também. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu tenho alguns filmes que eu chamo de “filmes muleta”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Filmes muleta???&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, são aqueles filmes que eu sempre recorro e revejo quando preciso pensar em algo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah é? E que filmes seriam esses?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- São três! “Alta Fidelidade”, “Sideways – Entre Umas e Outras” e “Encontros e Desencontros”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nossa, adoro “Encontros e Desencontros”! A Sophia Coppola é demais! E o Bill Murray está fabuloso nesse filme!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Bill Murray é o cara, até quando aparece pouco ele rouba a cena.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É? Está falando especificamente do que?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- De “Zumbilândia”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não vi esse filme ainda!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É um filme de zumbis misturado com comédia, mas não é tão bom quanto “Todo Mundo Quase Morto”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, esse eu vi. Engraçadíssimo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas meu filme preferido do Bill Murray é “Feitiço do Tempo”, nem todo mundo lembra desse filme quando se fala nele, mas sei lá, adoro esse filme.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, é bem legal mesmo! Acho que o Bill Murray foi muito injustiçado quando não levou o Oscar por “Encontros e Desencontros”, fiquei muito triste aquela noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É! Coisa parecida aconteceu quando o Paul Giamatti não levou o Oscar de melhor ator por “Sideways”, aliás, nem indicado ele foi. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Poxa, vou te confessar uma coisa, não vi esse filme. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não??&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não...rsrsrs&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nossa, esse filme é demais. Alías, seria um filme perfeito para assistirmos agora, mas teríamos que ter um bom vinho para nos acompanhar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Um vinho?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, é que a trama se passa nos vinhedos da Califórnia. São dois caras, um que vai casar em uma semana e outro que se divorciou há um tempo só que ainda não superou o trauma. Aí os dois resolvem fazer uma viagem para esses vinhedos, e entre romances e degustações de vinhos muita coisa acontece. Só que esse filme tem tantos significados sabe, cada vez que assisto me dou conta de uma coisa nova. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nossa, do jeito que tu fala parece imperdível! Será o primeiro filme que verei quando sairmos daqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E “Alta Fidelidade”, tu já viu?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, eu adoro os livros do Nick Hornby, mas não gosto muito das adaptações para a tela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, “Um Grande Garoto” ficou bizarro, aquele final totalmente diferente do livro acabou com o filme. Mas eu gosto do “Alta Fidelidade”, ficou mais fiel. Eu já li o livro quatro vezes e o filme devo ter visto umas doze vezes, no mínimo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nossa!!! Eu gosto de “Alta Fidelidade”, mas só li e vi o filme uma vez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Esse livro sempre foi a minha bíblia de relacionamentos. Quando precisava pensar no que fazer, em como as coisas andam, sempre recorri a ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Uau! Nunca parei para pensar nesse livro desta maneira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As horas corriam pela madrugada, e o papo cada vez mais agradável me fazia esquecer que estava trancado em uma sala de cinema. Naquele momento, o que importava era ela, com aquele olhar de quem realmente estava interessada no que eu tinha a dizer. Esse era um daqueles momentos mágicos, quando se conhece alguém e se escuta um “clic” imaginário, que no fundo nos diz que as coisas estão se encaixando e dando certo. Entusiasmada, ela continuou a conversa:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Melhor trilogia de todos os tempos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, com toda certeza a primeira do “Guerra nas Estrelas”!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, tu vai querer me matar, mas eu sempre gostei mais de “Jornada nas Estrelas”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Bah, estou preso em uma sala de cinema com uma “trekkie”, quem diria!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela gargalhou durante uns 20 segundos, nem eu acreditei que uma piada totalmente nerd tinha funcionado com uma garota.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas a minha trilogia preferida de todos os tempos com certeza é “O Poderoso Chefão”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Opa! Don Corleone é um dos meus personagens favoritos no cinema! O Marlon Brandon é o cara!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas sabe de uma coisa, eu sei que pode soar estranho, mas eu prefiro a segunda parte da trilogia!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sério?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nossa, não é sempre que escuto essa opinião. Pensei que fosse unânime que o grande filme fosse o primeiro!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pois é, sou meio estranha às vezes! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela se chamou de estranha, mas para mim ela era como eu. Claro que não tinha as mesmas opiniões em tudo, mas sabíamos compartilhar o momento e dividíamos uma visão parecida da importância de um filme na vida de uma pessoa. No final, quando o cansaço cedeu para o sono, dormimos abraçados. Nada aconteceu naquela noite, apenas a promessa de que no futuro nem todas as sessões de cinema seriam solitárias.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-6369577861032660529?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/6369577861032660529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=6369577861032660529&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/6369577861032660529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/6369577861032660529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2010/06/papo-de-cinema.html' title='Papo de Cinema'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TB_hLm55lhI/AAAAAAAAAOg/DfI1OMnKES4/s72-c/foto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-7394982901394974402</id><published>2010-05-24T18:19:00.007-03:00</published><updated>2010-05-27T20:44:22.875-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Jantar'/><title type='text'>O Jantar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/S_rvy21DYRI/AAAAAAAAAOY/9okSVReMhcM/s1600/ojantar2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" gu="true" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/S_rvy21DYRI/AAAAAAAAAOY/9okSVReMhcM/s400/ojantar2.jpg" width="373" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prefácio:&lt;/strong&gt; Este conto nasceu após o meu amigo carioca Robson Silva, um gourmet de primeira, me mandar um e-mail com uma temática similar ao do conto. Algumas partes foram usadas integralmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A maior insanidade da minha vida foi ter entrado em uma cozinha e me apaixonado pela arte de cozinhar. Tamanho amor começou quando eu ainda era criança. Minha avó era uma exímia doceira, fazia a melhor rapadura de amendoim que eu já comi na vida. Já minha mãe conseguia fazer um banquete com qualquer coisa que encontrasse na despensa. A paixão pela cozinha veio de família. Quando vim morar sozinho comecei a me aperfeiçoar em uma espécie de curso autônomo à distância, assistindo a diversos programas de culinária da TV a cabo: Jamie Oliver, Gordon Ramsay, G. Garvin...devo ter visto zilhões de receitas de todos esses caras, menos daquele francês insuportável do GNT, eu sempre tive uma vontade incontrolável de quebrar a televisão quando escutava aquele sotaque insuportável. Cozinhar é uma atividade que envolve técnica, trabalho pesado, equipamentos e os livros de receitas corretos. Essas técnicas são mais ou menos as mesmas que eu uso em uma conquista, a diferença é que mesmo usando os ingredientes adequados o sucesso não é garantido. Se me perguntassem, “qual a sua receita para conquistar uma mulher?”, eu responderia: “um jantar”, sou daqueles que fisgam as mulheres pelo estômago. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar de gostar muito de cozinhar, não fiz disto uma profissão, apenas uma prazerosa atividade paralela. Enquanto não estou me divertindo em meio às panelas eu fico enfurnado em uma sala rodeado por processos. Eu trabalho no mesmo escritório de advocacia há dez anos. Comecei lá como estagiário, me formei, fui efetivado logo em seguida e como já estava acostumado com tudo aquilo fui ficando, ficando, e aqui ainda estou. Há duas semanas a rotina do escritório sofreu uma drástica alteração. O nome da alteração? Claudinha, uma morena, lindíssima, de cabelos lisos que percorriam um sinuoso caminho até os ombros. Ela era baixinha, mas sabia usar isso a seu favor, o que destacava ainda mais o seu charme. A Claudinha era mineira, ou seja, tinha aquele charme especial, timidez oriental e safadeza cabocla. Ela era perita na arte da sedução, já que o sotaque das mineiras é uma ode ao encanto. Não importa o que elas digam, pode ser um direto “eu te amo”, uma leitura bíblica, ou podem estar falando grego, mesmo assim, aos ouvidos do homem que estiver escutando, aquele sotaque mineirinho sempre soará como sedução. E foi assim durante duas semanas. Sinceramente não prestava muita atenção no que ela dizia, mas estava enlouquecido por aquela mulher. Na última sexta-feira tomei coragem e a convidei para um jantar na minha casa, afinal, passara a semana inteira fazendo propaganda dos meus dotes culinários. Convite feito, convite aceito!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que cozinhar para impressioná-la? Resolvi trilhar um caminho seguro e preparar um prato em que sou mestre. Vejamos:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Frango à Provence:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Empanar os pedaços de frango, dourar em azeite. Reservar o frango, derreter a manteiga no azeite do frango, juntar a cebola e o alho, colocar 5 anéis de pimenta dedo de moça, incluir o frango, limão siciliano, salsa e 2 colheres de molho de tomate. Saltear e empratar. Seguir na frigideira e aquecer mais azeite e fritar um punhado de arroz selvagem, cobrir em seguida e servir.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algumas horas antes do combinado eu já estava nervoso, preparando o apartamento nos mínimos detalhes para receber a Claudinha. Selecionei alguns discos para um clima romântico e aconchegante, misturei cantoras clássicas como Billie Holiday, Ella Fitzgerald e Dinah Washington com algumas mais modernas, como Diana Krall, Elizabeth Sheppard e Melody Gardot. A trilha sonora estava resolvida. Para acompanhar o meu Frango à Provence comprei um caríssimo vinho chileno, tudo para impressioná-la. Arrumei a mesa delicadamente, organizando os copos, pratos e talheres, deixei tudo brilhando, já que mulher enxerga até pentelho de mosca no escuro. Enquanto eu estava na cozinha, picando a cebola, escutei a campainha. Droga, ela havia chegado 30 minutos antes do previsto. Rapidamente sequei as lágrimas em uma toalha, abri a porta e vi o olhar de espanto da Claudinha. Antes que ela perguntasse avisei-a que as lágrimas eram por causa da cebola. Educadamente guardei a bolsa dela e a acomodei na sala, onde “Down My Avenue”, da Melody Gardot, tocava em um volume agradável. Ela me olhou com uma cara assustada, e disse que eu escutava coisas estranhas. Mas o que ela queria que estivesse tocando, “Mineirinho” do Só Pra Contrariar? Enfim, voltei para a cozinha com o intuito de terminar meus afazeres culinários. Quando retornei com a entrada – resolvi fazer uma polentinha com cogumelo e azeite trufado – encontrei a dita cuja ao telefone, falando abobrinhas com uma amiga. Neste caso, nem o sotaque mineiro foi suficiente para disfarçar a quantidade de bobagens que as duas diziam. Se eu soubesse disso teria feito igual aos cinemas, e teria posto um aviso de “desligue o seu pager ou celular antes do jantar”. Coloquei os pratos na mesa e esperei alguns minutos para começar a degustar a entrada, já que teria sido uma tremenda falta de educação iniciar sem ela. A polenta começou a esfriar e perder o brilho, o cogumelo que estava al dente começou a endurecer, e a salsinha sumiu em vez de dar o acabamento. Quando ela finalmente desligou o telefone pediu alguns minutos para ir ao banheiro retocar a maquiagem. Aproveitei esse tempo para finalizar o molho do Frango à Provence. Quando voltei, ela estava beliscando uma polenta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O que achou Claudinha?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Menino, tá bom, mas tinha que estar mais quentinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ok, me deixa buscar um maçarico industrial (Essa frase foi só no pensamento, se dissesse isso passaria por grosso).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltei à cozinha para finalizar o frango e pegar o vinho chileno. A Claudinha me esperava com um sorriso no rosto. Servi uma porção generosa da minha especialidade e ela disse:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mais comida? Eu não quero engordar hein, coloca só um pouquinho viu!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada me irritava mais do que frescura na hora de comer. Ela não queria um prato cheio, mas cheio mesmo já estava o meu saco. Será que eu havia errado tanto assim? Seria possível aquele sotaque charmoso mascarar uma mulher insuportável? Perdido em meio aos meus pensamentos sentia como se tivesse encontrado uma sereia que durante duas semanas foi me encantando, mas que quando finalmente chegou perto se transformou em uma medusa, e eu estava ali, petrificado, sem saber o que fazer. Servi mais um pouco de vinho, enchendo metade da taça. Para piorar a situação só se ela quisesse o vinho em um copo de molho de tomate, mas graças a Deus não chegou a tanto. A verdade era que eu estava perdido. Uma linda mulher estava à minha frente, porém eu não conseguia trocar uma palavra sequer com ela. O que fazer? Para minha sorte o telefone tocou de novo, era a tal amiga. Fui para a cozinha esfriar a cabeça um pouco, na volta a Claudinha me disse que a amiga dela estava nos convidando para uma rave. Encarei o convite cilada como uma oportunidade para me livrar desta noite desastrosa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Claudinha, eu tenho que acordar cedo amanhã, tenho futebol com os amigos marcado há um tempão já. Mas não estraga tua noite por mim, vai lá na festa com a tua amiga, a gente marca alguma coisa outra hora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para minha sorte ela aceitou meu “conselho” e resolveu ir à festa. Sempre fui um cara de ligar para as mulheres no dia seguinte, mas neste caso, certamente teria que abrir uma exceção. Minutos depois da ligação eu estava me despedindo da Claudinha, com apenas um beijo no rosto e um alívio no coração. Na segunda-feira cheguei cedo ao escritório, como de costume. Avistei a Claudinha de longe e acenei timidamente. Rapidamente percorri o corredor que dava acesso a minha sala. Naquele dia, uma pilha de processos parecia mais atraente que uma linda morena mineira.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-7394982901394974402?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/7394982901394974402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=7394982901394974402&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/7394982901394974402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/7394982901394974402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2010/05/o-jantar.html' title='O Jantar'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/S_rvy21DYRI/AAAAAAAAAOY/9okSVReMhcM/s72-c/ojantar2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-2328203691929171143</id><published>2010-05-07T22:56:00.005-03:00</published><updated>2010-05-17T13:26:24.794-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Lavanderia'/><title type='text'>A Lavanderia</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/S-TEW5AZJkI/AAAAAAAAANw/mMW-h_ZnSJY/s1600/lavanderia+blog+.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="302" src="http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/S-TEW5AZJkI/AAAAAAAAANw/mMW-h_ZnSJY/s400/lavanderia+blog+.jpg" tt="true" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Eu sempre imaginei que fosse conhecer a mulher da minha vida em uma livraria. Eu puxaria assunto sobre algum livro de mútuo interesse, ou então comentaria sobre a música que tocava ao fundo e tudo estaria formado. Pensava que poderia eventualmente encontrar uma bela mulher, abandonada ao acaso, em um charmoso Café do centro. Eu tomaria coragem e&amp;nbsp;começaria um papo do nada, e no fim viveríamos felizes para sempre. Cheguei ao cúmulo de pensar que meus olhos encontrariam o olhar de uma futura namorada em uma fila de banco, e depois de alguma piada idiota sobre contas a pagar e dinheiro curto no fim mês combinaríamos a primeira de muitas saídas. Mas não, a mulher pela qual eu me apaixonei instantaneamente estava naquela lavanderia, simples, um pouco suja e desleixada, mas com um clima acolhedor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Duas quadras separavam meu apartamento daquela lavanderia. O estabelecimento pertencia a um simpático casal chinês, que já estava no Brasil há mais de 30 anos. Eu frequento o lugar desde minha mudança para o centro, há mais ou menos oito anos. Sendo assim, eu me considero íntimo da maioria dos clientes, mesmo não tendo trocado mais do que duas ou três palavras com grande parte deles. Quando uma pessoa nova começava a frequentar o lugar de cara me chamava a atenção. Foi assim que aconteceu naquele princípio de noite, com tempo ruim, chuviscando. Quando ela abriu a porta e entrou na lavanderia, não houve par de olhos imune aquele corpo. Era aquele tipo de mulher que fala com o olhar e hipnotiza com o sorriso. Impossível não se apaixonar. Tomado pela minha timidez, apenas observei de longe o seu andar confiante, como se conhecesse cada canto do local há décadas. A lavanderia dos chineses possuía seis máquinas, eu estava na de número quatro, e para minha sorte, a única disponível era a última, apenas a poucos metros de distância. Meu amor platônico, com o olhar decidido e sem desviar do trajeto por um milímetro sequer, rumou para lá. O cesto de roupas que carregava me chamou a atenção. Ele não estava totalmente cheio, e as roupas estavam todas bagunçadas e emaranhadas umas nas outras. Meu excesso de timidez impediu uma tentativa de conversa, mas essa não era a única maneira de descobrir alguma coisa sobre ela. Já ouvi muito aquela frase, típica de propagandas de remédios para emagrecer, “você é o que você come”. Pois então, acho que devido à situação, a frase poderia muito bem ser adaptada para “você é o que você veste”. Resolvi tentar. A primeira peça de roupa que ela tirou foi uma saia de bolinhas, charmosíssima, que me deixou imaginando como aquelas pernas se destacariam no meio daquele mar de bolinhas. Ainda estava sonhando acordado com aquela cena quando a vi colocando na máquina uma calça de couro preta, aparentemente apertada, parecia que vinha direto de um clipe do Judas Priest. Achei estranho, o clima de amor platônico deu uma esfriada, e meu tempo também estava escasso. Enquanto me dirigia para a porta de saída dei uma rápida olhada no cesto, e para minha felicidade não avistei nenhuma roupa masculina. Havia fortes indícios de que ela era solteira. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma semana se passou, e uma pilha de roupas sujas já havia se formado no canto do meu apartamento. A lavanderia do casal chinês novamente seria o meu destino. Enquanto percorria o trajeto de duas quadras, só conseguia pensar naquela mulher, de gosto aparentemente antagônico para roupas. Ao adentrar o recinto avistei-a de longe, destacando-se no meio da multidão de aposentados e solteirões trintões que estavam na lavanderia. Sua cesta estava quase vazia, minha pesquisa nada ortodoxa sobre quem ela é teria que ser feita com base nas últimas roupas que ela preparava para lavar. Um vestido balonê foi a primeira peça que eu consegui avistar. Sinceramente, eu só sabia que esse vestido tinha esse nome específico porque uma amiga, estudante de moda, passou um dia inteiro falando sobre a tendência desses vestidos para o verão. Graças a isso eu descobri que ela andava na moda, já que o verão acabara de começar. Em seguida ela colocou um daqueles casacos Adidas, típicos de quem gosta de correr. Pelo visto eu poderia estar diante de uma futura companheira de corridas no parque. Enquanto gastava meu tempo imaginando nossas mãos entrelaçadas, as pernas correndo em um ritmo cadenciado, com os pássaros cantando ao fundo e todo parque&amp;nbsp;à frente, vi mais uma peça de roupa sair do cesto: um casaco com lantejoulas, bem anos 80. Se não me falha a memória devo ter visto coisa parecida em algum clipe da Madonna ou Cindy Lauper. Desviei o olhar por um instante, e imaginei uma cena bizarra dela dançando “Like a Virgin” em uma boate GLS. Ao repará-la novamente, vi que segurava uma última roupa nas mãos, e que roupa: uma calça vermelha, gritante, parecia um rio de sangue. Não me recordo de ter visto tanto vermelho assim desde a última vez que assisti “O Amanhecer dos Mortos”, do George Romero, na TV em uma madrugada de insônia qualquer. Enquanto eu me posicionava para começar a lavagem das minhas roupas ela foi para um canto ler o jornal. As roupas dela ficaram prontas antes das minhas, e novamente, sem tomar um impulso de coragem, a vi deixar a lavanderia com aquele ar sedutor que ela imprimia ao andar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma semana se passou, e sinceramente eu nem tinha roupas sujas o suficiente para fazer valer uma viagem à lavanderia. Porém, se o cronograma das duas últimas semanas se mantivesse, eu a encontraria lá, e dessa vez tudo teria que ser diferente, estava na hora de tomar uma iniciativa. Ela era apenas uma mulher, linda, atraente, de certa forma intimidadora, mas apenas uma mulher. Era hoje o dia. Nunca caminhei tão rápido aquelas duas quadras, tamanha era a ansiedade que habitava meu coração e mente. Quando estava quase chegando lá a avistei de longe, eu estava atrasado, ela já estava saindo com seu cesto de roupas devidamente lavadas. Não seria uma simples mudança de planos que me faria desistir da ideia de finalmente conhecê-la. Dessa vez não passa, pensei, vou segui-la. Mantendo uma distância segura – eu me certificava a cada segundo que meus passos não entregassem minha intenção – a segui por centenas de metros. Na terceira quadra ela virou na esquina, e quando eu repeti a ação, vi algo que meus olhos custavam a acreditar: meu amor platônico, a dona daquelas belas pernas, de mãos dadas....com outra...sim...com outra. Era uma mulher mais alta, com um porte físico maior que o meu, vestindo uma calça laranja e um casaco de couro. Agora tudo fazia sentido, aqueles antagonismos, aquela sensação estranha de não entender como uma mulher se tornava tão diferente em meus pensamentos a cada minuto. As duas deram um leve beijo na boca e seguiram caminho. Mediante a situação, interrompi a minha perseguição e voltei para casa, ainda com um certo aperto no coração. Nessa hora, só conseguia me lembrar da Elza Soares cantando “Boato”: “Você foi a mentira que deixou saudade”. E que saudades!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-2328203691929171143?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/2328203691929171143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=2328203691929171143&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/2328203691929171143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/2328203691929171143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2010/05/lavanderia.html' title='A Lavanderia'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/S-TEW5AZJkI/AAAAAAAAANw/mMW-h_ZnSJY/s72-c/lavanderia+blog+.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-2471217712869215220</id><published>2010-05-01T20:12:00.002-03:00</published><updated>2010-05-01T20:14:34.538-03:00</updated><title type='text'>A volta dos Contos de Fleming</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Escrever contos parece algo natural de se fazer depois de algum tempo e alguns contos publicados. Porém, para escrever um conto é necessário um estado de espírito que é difícil de explicar. Por quase três anos esse chamado "estado" não voltava a mim, mas faz alguns dias&amp;nbsp;que essa vontade começou, quer dizer, recomeçou a brotar na minha mente. Sinceramente, lendo meus contos antigos sinto um mix de estranheza e timidez, parece que foi outra pessoa que escreveu aquilo, um "outro eu", ou como eu gosto de dizer, um alter-ego. Confesso que eu realmente gosto de uns dois ou três dos meus contos antigos, os outros nem tanto. Porém, mesmo não achando todos uma maravilha, eles acabam expressando um momento interessante e importante da minha vida, por isso, não deletarei nenhum, e os manterei com a escrita atual, mesmo muitas vezes apresentando um ar tosco. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem todos os contos ficaram restritos ao blog, um dos meus preferidos, "&lt;strong&gt;Vou Ficar Nu Para Chamar Sua Atenção&lt;/strong&gt;", virou curta-metragem, o qual eu dirigi em uma cadeira da PUCRS:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ij5sFbxGd2g&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/ij5sFbxGd2g&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-2471217712869215220?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/2471217712869215220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=2471217712869215220&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/2471217712869215220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/2471217712869215220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2010/05/volta-dos-contos-de-fleming.html' title='A volta dos Contos de Fleming'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-116777351827807192</id><published>2007-01-02T19:30:00.009-02:00</published><updated>2010-05-07T23:49:23.974-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Como Dois e Dois São Cinco'/><title type='text'>"Como Dois e Dois São Cinco"</title><content type='html'>&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2868/2987/1600/109336/comodoisedois.jpg" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" height="320" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2868/2987/320/504612/comodoisedois.jpg" style="float: left; margin: 0px 10px 10px 0px;" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Rafael Pesce&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tente definir o amor. Conseguiu? Provavelmente uma infinidade de clichês e frases prontas vieram à sua mente. Mas invariavelmente, todas as respostas convergem para um único ponto: o amor é irracional. Ele não tem lógica, e quem sabe é por isso que recorremos a frases prontas para tentar explicá-lo, já que é muito mais fácil do que gastarmos horas e horas a fio tentando encontrar uma solução que nos satisfaça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conformar-se com a situação descrita acima é o que pessoas normais deveriam fazer, mas a questão é que a normalidade me abandonou há muito tempo atrás. A loucura e a insanidade tomaram o seu lugar, ainda mais depois que passei a cursar Matemática na faculdade. A minha tentativa de mudar tudo começou em uma noite de insônia, mais ou menos dois meses atrás...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dor nas pernas, inquietação, calor, um verão insuportável. Doce ilusão daquelas pessoas que acham que só porque eu moro no sul eu vivo em um lugar onde o frio é constante por 12 meses. O verão daqui é infernal, e o que parece aos olhos dos outros ser um pedaço da Europa no Brasil transforma-se em um forno, cujo botão de desligar está estragado, pelo menos até o outono chegar. A questão é que a falta de sono tem uma conseqüência inevitável: tempo de sobra para pensar. Não posso negar que é até uma coisa boa, mas as penitências no outro dia são terríveis: dor no corpo, indisposição e consumo exagerado de cafeína. Durante uma noite produtiva de insônia, pensando nos caminhos tortos da paixão, tive a brilhante idéia de tentar transformar o amor em uma ciência exata e racional. Afinal, estava cursando Matemática, para alguma coisa isso deveria servir. Estamos no século 21, com toda a tecnologia que nos cerca já deveriam ter arrumado algum jeito de decifrar o DNA do amor. Eu estava solteiro havia mais ou menos uns 7 meses, e meu último relacionamento havia sido um pouco traumático. Para variar, a minha ex me culpava pelo fim do relacionamento, porque segundo ela eu era ciumento demais e não a deixava respirar. Tudo bem, eu entendi o recado e conduzi a bola para frente. O problema é que não cheguei a gol algum, e agora estou aqui deitado na cama, ainda pensando numa solução lógica para entender o amor. Bom, para começar, nada melhor do que pegar uma folha em branco. Aquela infinidade de espaço, apenas esperando para ser preenchido com traços, cores e letras, que podem conduzir à uma genialidade ou apenas mais uma inutilidade besta. Acho que um bom começo é fazer uma retrospectiva, afinal, “clichemente” falando, é com o passado que aprendemos nossos erros. No papel em branco, desenhei uma tabela, e em seguida anotei o nome das 3 namoradas que tive ao longo dos meus 23 anos, uns 5 affairs duradouros que me marcaram, e mais o nome de 12 mulheres que estavam na categoria de affair passageiro. No total, 20 nomes, alfabeticamente ordenados em uma coluna no lado esquerdo da folha. Do lado direito, uma outra categoria com o nome de “erros cometidos”. Anotei todas as falhas que protagonizei durante praticamente toda a minha vida amorosa, tudo isso na tentativa de fazer a equação perfeita, que proporcionasse elevar minhas habilidades a um nível de par perfeito. Estavam lá desde “entregar flores, não só no começo do relacionamento, mas periodicamente”, passando por “ser compreensivo e agüentar os esculachos no período de TPM”, até “jamais revelar suas fantasias sexuais que envolvam mais de uma mulher”. Confesso que uma folha foi pouco, e depois de encher três páginas com anotações, me senti mais confiante para encarar qualquer encontro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não foi preciso esperar muito para por a minha teoria em prática. Havia mais ou menos uma semana que a Luciana, minha colega de faculdade, me olhava com um olhar “maldoso”, apenas à espera de um convite. E ele veio, na forma de um sutil pedido de “gostaria de sair comigo?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na mesma noite, eu e a Lu nos dirigimos até o Café Vermont, um simpático lugar para um encontro. De acordo com minhas anotações, este tipo de local era um dos preferidos das mulheres. Era pequeno e aconchegante, charmoso, quieto, discreto e com opções de iguarias não calóricas para o corpo feminino. De acordo com as regras, eu deveria evitar churrascarias, botecos, pizzarias e afins, e foi isso que eu fiz indo ao Vermont. Seguindo a cartilha coerentemente, escolhi uma mesa bem localizada, e enquanto puxava a cadeira para a Lu sentar, disse o quanto ela estava bonita, e a deixei falar bastante, evitando o egocentrismo que às vezes me assola.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E tu sabe, eu nunca gostei mesmo daquela aula, o professor sempre me pareceu meio patético. Mas também pode ser um pouco de birra minha sabe, aquela coisa de que “não gosto dele por que ele me deu bomba na prova” e blá blá blá...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Aham!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E tu sabe, também teve aquela vez...blá blá blá&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de um bom tempo agüentando o papo furado dela, resolvi tentar me impor aos poucos, e ir incrementando alguns assuntos um pouco mais abalizados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Poxa, e o Saddam foi enforcado né? Agora só falta o Bush.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pois é, eu vi no You Tube. Mas sabe, ontem eu fui no shopping e vi um vestido lindo, mas meu cartão ficou em casa...blá blá blá&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Aham, falando em compras, as vendas nesse ano aumentaram 25% em relação ao natal passado né.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Deve ser, tava tudo cheio, mas então depois de ver o vestido eu resolvi procurar um sapato que combinasse com os brincos que eu tinha comprado na semana passada...blá blá blá&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Egocentrismo é uma coisa, mas o papo dela já estava virando palhaçada. Cansado da conversa, e vendo que meu livro de regras não se aplicava ao exemplar feminino que estava postado em minha frente, resolvi perder as estribeiras e ir ao banheiro. Pelo menos era o que o meu par pensava. O toalete ficava a esquerda, mas eu tomei o caminho da direita, aquele que dava direto para a rua, e consequentemente minha liberdade. Antes de me você me chamar de algum nome de baixo calão, reitero que deixei o dinheiro da conta com o garçom, logo a Lu não teve que desembolsar nada pela noite “inesquecível”. Voltei para casa caminhando calmamente, com o olhar levemente inclinado para cima, de uma maneira que eu pudesse apreciar o céu estrelado ao mesmo tempo em que desviava dos postes que importunavam o meu caminho. Depois deste encontro, cheguei à conclusão de que o Caetano Veloso tinha razão, 2 + 2 são 5. O amor não é uma ciência exata, é um sentimento torto, que não nos apresenta um caminho ao qual seguir. Por isso, o melhor que tenho a fazer agora é abandonar a planilha e a calculadora e seguir a minha vida, quem sabe em alguma curva eu encontre o meu denominador comum.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-116777351827807192?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/116777351827807192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=116777351827807192&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/116777351827807192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/116777351827807192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2007/01/como-dois-e-dois-so-cinco.html' title='&quot;Como Dois e Dois São Cinco&quot;'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-116259097640919013</id><published>2006-11-03T18:54:00.004-03:00</published><updated>2010-06-30T13:45:03.300-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Pizza O Alter-ego e o Fundo do Poço'/><title type='text'>"A pizza, o alter ego e o fundo do poço!"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2868/2987/1600/alter%20ego.jpg" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" height="320" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2868/2987/320/alter%20ego.jpg" style="float: left; margin: 0px 10px 10px 0px;" width="288" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por Rafael Pesce&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade corria em ritmo acelerado. As luzes, cores e sons misturavam-se em um mosaico, onde apenas a figura da minha pessoa, solitariamente caminhando, aparecia deslocada no meio deste mundo surreal. Realmente eu precisava sair de casa, tentar relaxar um pouco e me animar para viver o resto da vida. Ela fora afetada diretamente pelo ato que eu acabara de cometer. Uma morte não é assim tão fácil de assimilar, não sei se chegamos a nos recuperar completamente de uma “tragédia” como essa, ainda mais quando o culpado é a gente mesmo. No meu caso, posso pagar uma dura pena, pois cometi um assassinato, sem dó nem piedade, a sangue frio. Nesta noite meus amigos, assassinei brutalmente meu alter ego.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poucos momentos após o crime, meu caminho estava traçado. Tudo que eu precisava era encontrar um lugar onde o pecado da gula suprisse a culpa que eu sentia pelo descumprimento do quinto mandamento, aquele que diz “não matarás”. Eu caminhava a passos lentos pela avenida lotada de pessoas, até finalmente chegar a um restaurante onde eu sabia que iria encontrar uma comida quente e deliciosa, juntamente com um bom atendimento. Lá eu poderia me isolar do mundo um pouco. Entrei no estabelecimento e me dirigi cegamente para uma mesa escondida no canto. O ar condicionado estava forte, e eu não tinha trazido o meu casaco, mas tudo bem, o frio é suportável quando não estamos dando a mínima para ele. Acendi o meu cigarro, mas o garçom prontamente apontou para uma placa com os dizeres de “Proibido Fumar”. Apaguei-o imediatamente, e franzi a testa ao constatar que este era o meu último. Peguei o cardápio e fui em busca de alguma iguaria bem gordurosa, capaz de me satisfazer em poucos instantes. Resolvi apelar para a pizza, e a fase de dúvidas e complicações pela qual eu estava passando se refletiu na minha escolha: uma pizza inteira, metade calabresa, metade chocolate branco; o salgado e o doce. Juntos eles logo habitariam o meu estômago. Confesso que um dos motivos que me levaram a escolher esta mesa bem isolada, foi o jogo de futebol que estava passando na televisão ali perto. Estranhamente, era um Cruzeiro e Atlético Mineiro, em plena terça-feira. Fiquei desconfiado, não era dia de campeonato brasileiro, e o galo jogava a segundona neste ano. Foi aí que percebi os patrocínios das camisetas: eram de marcas que eu nem sabia se existiam ainda. Moral da história: o jogo era de 10 anos atrás, a final do campeonato mineiro de 1996. Já se passavam 30 minutos, não da partida, que já estava no segundo tempo, mas sim do meu pedido, que já demostrava sinais de que iria atrasar. Eu estava faminto, e ficar esperando para comer nesta situação era o que de pior poderia me acontecer. Foi neste momento que olhei para fora e percebi que chovia. A palavra pegadinha começou a fazer cada vez mais sentido para mim. Droga, eu havia esquecido meu guarda chuva em casa. Pelo menos a minha cerveja veio gelada, nem tudo estava perdido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que sensações temos ao matar nosso alter ego? Difícil decidir, mas meu top 5 seria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Sensação de ser você mesmo de novo.&lt;br /&gt;2) Tristeza pela “morte” da pessoa tão próxima.&lt;br /&gt;3) Leveza. Simplesmente isso.&lt;br /&gt;4) Confusão. Será que realmente fiz a coisa certa?&lt;br /&gt;5) Dúvida. Ter um alter ego era uma coisa idiota? Ou eu era um idiota por ter um alter ego?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Merda, pensando bem, acho que fui um incompetente. Resquícios do meu alter ego ainda insistiam em habitar o meu corpo. É complicado se livrar completamente de algo que fez parte da gente durante um longo período. Começo a perceber isso cada vez mais fortemente, mas eu não podia voltar atrás, o crime já havia acontecido. A recaída que eu acabara de ter só pode ter sido coincidência, ou força do hábito mesmo. A verdade é que o vazio que&amp;nbsp;meu alter ego deixou tinha que ser preenchido de alguma maneira. Mas com a morte dele, acho que finalmente eu estava pronto para me relacionar seriamente com uma mulher. Afinal, a culpa por ele ter aparecido pertencia a uma fiel representante do sexo feminino. Naquele momento, apenas o calor de um corpo feminino, as carícias de uma mão suavemente me massageando e o sorriso de uma querida acordando diariamente ao meu lado pareciam ser coisas sensatas as quais buscar. Dizem que é preciso chegar ao fundo do poço para nos reerguermos e começarmos a reconstruir nossas vidas. Pois bem, a morte do meu alter ego, aliado a demora de uma hora até minha pizza chegar à mesa, haviam me levado até este ponto. Finalmente eu me sentia pronto para subir e voltar para um lugar o qual nunca deveria ter abandonado. Agora meus amigos, o céu é pouco para mim, ele com certeza não será o meu limite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: as referências sobre quem é o alter ego se encontram “perdidas” pelo conto, achei melhor não expô-lo escancaradamente, afinal, ele está morto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-116259097640919013?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/116259097640919013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=116259097640919013&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/116259097640919013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/116259097640919013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2006/11/pizza-o-alter-ego-e-o-fundo-do-poo.html' title='&quot;A pizza, o alter ego e o fundo do poço!&quot;'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-116180995229660780</id><published>2006-10-25T17:54:00.002-03:00</published><updated>2010-05-07T23:53:26.133-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Samba Das Saias de Verão'/><title type='text'>"Samba das Saias de Verão"</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2868/2987/1600/conto%20saia.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2868/2987/320/conto%20saia.jpg" style="cursor: hand; float: left; margin: 0px 10px 10px 0px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Rafael Pesce&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“ Você viu só que amor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nunca vi coisa assim &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E passou, nem parou / Mas olhou só pra mim &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se voltar vou atrás / Vou pedir, vou falar &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vou contar que o amor / Foi feitinho pra dar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Olha, é como o verão&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quente o coração / Salta de repente&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para ver a menina que vem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ela vem sempre tem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Esse mar no olhar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E vai ver, tem que ser / Nunca tem quem amar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hoje sim diz que sim / Já cansei de esperar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nem parei nem dormi / Só pensando em me dar &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Peço, mas você não vem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bem / Deixo então &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Falo só / Digo ao céu&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas você vem “&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Samba de Verão”, de Marcos Valle, não poderia ser mais perfeita para embalar os longos passos que me encaminhavam à Rua da Praia. Porto Alegre é mais ou menos assim: uma semana é um frio de rachar, onde ternos, blusões, cachecóis e casacos desfilam saudavelmente em um mar de peles e tecidos. Na semana seguinte, tudo pode mudar, e o tradicional calor infernal que assola o sul pode chegar repentinamente, transformando a vida de todos em um forno. Hoje está um dia assim. Na verdade, é o primeiro depois de uma longa temporada com uma extensa friaca. Mas se o verão tem uma coisa boa, é definitivamente a saia. Sim, a saia mesmo, com seus diversos modelos, vestindo com perfeição uma infinidade de corpos femininos, todos em busca do conforto e beleza que só uma linda saia pode proporcionar. O melhor do verão é isso, é poder olhar para todos os lados e notar que de repente as mulheres estão mais bonitas, alegres, sorridentes e atraentes. Para mim, boa parte disso é “culpa” da saia mesmo. Sem ter que se preocupar com o desconforto e aperto de uma calça, as mulheres passam a flutuar em vez de caminhar, e dependendo do modelo usado, a vestimenta acaba se tornando uma afronta e forte provocação à tentação masculina. O difícil é não se apaixonar inúmeras vezes em um mesmo dia. Não é canalhice, nem nada parecido, é apenas o amor platônico elevado a sua enésima potência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, mas voltando à Rua da Praia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andava eu sozinho pela Rua da Praia, sorriso estampado no rosto, Marcos Valle no ouvido e os olhos bem abertos, apenas apreciando o embalar das pernas femininas que me encantavam a cada esquina. Em um universo concorrido, onde centenas de saias perambulam em todo lugar, é difícil conseguir um espaço de destaque, ofuscando as concorrentes e arrebatando a atenção do globo ocular dos homens. Mas o difícil não é tarefa impossível. Enquanto me recuperava da tontura dos movimentos contínuos que minha cabeça fazia (devido a árdua tarefa de observar saias), passou por mim uma daquelas raras mulheres, capazes de resumir o nosso universo em apenas um olhar. Pernas longas, envoltas por uma saia listrada (preto e branco), que terminava em uma altura um pouco acima do joelho, deixando aquele ar de mistério, que convivia pacificamente com o jeito sexy proporcionado apenas por uma peça de roupa como aquela. Percebi estes detalhes em uma questão de segundos, já que a moça passou rapidamente por mim, em um andar linear e decidido. Chamaria-a de blasé, se encantadora não fosse o primeiro adjetivo a aparecer na minha cabeça. Porém, discretamente ela olhou para trás, e o sorriso que eu vi já fez o meu dia valer a pena. O caminhar dela era apressado, e esforcei-me ao enfrentar a multidão e segui-lá pela Andradas (verdadeiro nome da Rua da Praia) tumultuada, onde as listras preto e branco da vestimenta confundiam-se com o chão de mesma cor da famosa rua. Incessantemente a persegui, e de longe avistei-a entrando no Santander Cultural. Ao chegar no local, deparei-me com uma placa fazendo a propaganda de um festival musical que aconteceria hoje, o “Poa em Bossa”. Já que meu dia começou com Marcos Valle, acabá-lo com bossa não seria uma má idéia. Apostei minhas fichas que subindo os degraus que davam acesso ao evento, eu poderia encontrá-la, e nao deu outra. Entrei no recinto embalado pelo som de “Tem Dó de Mim”, de Carlos Lyra, executado pelo trio que se apresentava no palco. Para todos os lados que eu olhava haviam saias, e meus olhos encontravam mais e mais olhares, todos em busca do mesmo objetivo provavelmente. Mas aquela saia e aquelas pernas eram únicas, e não demorei a perceber que a bela moça estava charmosamente sentada em uma mesa bem perto do palco. Ela estava sozinha, com as pernas cruzadas, o que aumentava ainda mais o encanto que a saia proporcionava. Eu estava em um dilema: poderia muito bem ir lá falar com ela e ver no que ia dar, ou então ficar onde estava para não arriscar um inusitado encontro com algum eventual namorado, marido ou affair que ela poderia estar a espera. Me lembrei de “Samba de Verão”, e coincidentemente a banda começou a tocá-lo. Ainda meio receoso, esperei um pouco, e no momento que o vocalista cantava a parte onde diz “e vai ver, tem que ser, nunca tem quem amar, hoje sim, diz que sim, já cansei de esperar”, tomei a coragem e influência necessária para ir ao encontro dela. Com a imponência e auto confiança necessária a qualquer conquistador que se preze, sentei-me ao lado daquelas pernas, e agora pude observar calmamente que a beleza da moça não se resumia apenas à isso. Dona de um sorriso monumental, uma pele angelical e um olhar penetrante, ouvi a sua voz suavemente cantarolar a bossa, ao mesmo tempo que me oferecia o whisky que segurava com a mão direita. Passamos o dia ouvindo bossas, conversando e bebendo...e quando “Felicidade”, de Tom Jobim e Vinicíus de Moraes, chegava ao refrão - “tristeza não tem fim, felicidade sim” - comecei a pensar se os momentos de alegria que eu estava passando iriam acabar. Resolvi não esquentar a cabeça, e depois de acompanhar a moça até a casa dela, e me despedir com um caloroso beijo, percebi que hoje fora um dia atípico. Apesar de ter passado um clássico dia de verão, onde havia presenciado um vasto mundo de pernas e saias por aí, eu me apaixononei apenas uma vez. Pensando bem, amanhã vai ser outro dia, 24 horas em que saias estarão por todos os lados novamente, e se a felicidade tem fim, é só porque um novo ciclo de alegria, ainda melhor, está para começar... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-116180995229660780?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/116180995229660780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=116180995229660780&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/116180995229660780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/116180995229660780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2006/10/samba-das-saias-de-vero_25.html' title='&quot;Samba das Saias de Verão&quot;'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-115722347723663428</id><published>2006-09-02T15:53:00.000-03:00</published><updated>2007-12-12T16:15:06.272-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vou Ficar Nu Para Chamar Sua Atenção'/><title type='text'>"Vou Ficar Nu Para Chamar Sua Atenção"</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2868/2987/1600/peladao_02.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2868/2987/320/peladao_02.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por Rafael Pesce&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Prefácio:&lt;/em&gt; Algumas idéias e inspirações deste conto vieram da fabulosa música "Vou Ficar Nu Para Chamar Sua Atenção", de Erasmo Carlos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus dias eram longos e entediantes. Faz mais de três anos que trabalhava na biblioteca central da cidade, catalogando livros e mais livros, dividindo-os por autor, editora, gênero e ano. Eu posso dizer que já estava acostumado com a monótona vida de um bibliotecário. Mas também não podia reclamar de tudo. Eu tinha tempo de sobra para ler o livro que eu quisesse, e a tranqüilidade do ambiente, aliada com algumas pílulas, ajudavam a acalmar minha hiperatividade. Porém, meu coração que outrora batia lentamente e a ritmos mansos, foi abalado por uma mulher de tamanha beleza, que faria qualquer pessoa do local trocar as páginas de um livro por um sorriso dela. Fiquei atônito com aquela presença, e resquícios da minha hiperatividade pareciam dar sinais de volta. Primeiramente eu pensei: “é só hoje, amanhã ela não estará aqui e tudo voltará ao normal”. Mas eu estava redondamente enganado. A moça dos meus sonhos começou a freqüentar a biblioteca diariamente, sempre com a mesma rotina. Ela chegava por volta das 13 horas e ia diretamente para a seção de literatura estrangeira. Pela posição que ficava a minha mesa, não era possível identificar que livros especificamente ela olhava todos os dias. Por volta das 17 horas, perto do horário de fechamento da biblioteca, ela selecionava alguns livros e se dirigia à mesa da Dona Vera, a funcionária responsável pela retirada das obras literárias. Todos os dias, ao fazer este trajeto, ela passava por mim, me obrigando a sentir o suave perfume que exalava do seu corpo. Ela não olhava para os lados, parecia extremamente concentrada, caminhando de um modo decidido. Esse certo desprezo acabava por despertar ainda mais minha paixão, e eu ficava pensando no que poderia fazer para conseguir pelo menos um minuto de atenção daquela mulher. Os dias passavam lentamente, e minha agonia apenas aumentava. Não ousaria sair do meu posto para ir importuná-la com um papo banal, até por que levaria uma bronca do meu chefe e provavelmente ganharia um olhar de ódio daqueles olhos concentrados na leitura. Resolvi tentar descobrir um jeito de chamar a atenção dela. Meu primeiro passo foi falar com a Dona Vera depois do expediente. Tentando disfarçar o meu entusiasmo, perguntei para a funcionária que livros que estavam sendo retirados pela nossa mais nova freqüentadora. Era difícil enganar a experiente senhora, e a primeira coisa que ela disse para mim foi um sonoro “você está apaixonado por ela, não?”. Não tive como me esquivar, e nem teria por quê. A antiga bibliotecária era dona de um bom coração, e meus desejos e segredos ficariam bem guardados com ela. Depois de uma rápida consulta no computador, obtive das mãos da bondosa senhora uma folha impressa com todos os livros retirados pela minha querida. Coincidentemente, todos eles se encaixavam na categoria suspense e mistério. A lista começava em Agatha Christie, passando por Sidney Sheldon e Edgard Wallace, e terminando com Stephen King. O que será que ela estava fazendo com todos estes livros de mistério? Poderia ser alguma atividade para a faculdade, ou quem sabe um trabalho de conclusão sobre livros de suspense, ou melhor ainda, ela poderia estar escrevendo um livro e precisando apenas de inspiração. Não dormi direito neste dia, tamanho as dúvidas e curiosidades que rondavam meus pensamentos. Ao levantar no dia seguinte, tive que apelar para o café (ele aumenta e muito minha hiperatividade) para me manter acordado durante o trabalho. No começo da tarde lá estava a minha bela novamente, desfilando seu charme e fazendo eu me sentir invisível. Estava difícil conter meus sentimentos, queria e muito fazer algo, e para me manter ocupado passei o resto do dia escrevendo versos e versos sobre ela. Acabei com o estoque de rascunho que havia em minha mesa, e depois de tudo isso, não achei minhas palavras merecedoras da beleza dela, e resolvi guardar as poesias para mim. Perto das cinco da tarde, a querida já se preparava para ir embora, e esforcei-me ao esboçar o meu melhor sorriso, mas novamente fiquei com a sensação de “sou obsoleto”. Porém, neste dia, notei que as rápidas palavras que normalmente ela e Dona Vera trocavam, demoraram um tempo maior que o usual. Ao final do expediente, não contive minha curiosidade e perguntei para a senhora sobre o que elas conversaram. Ela me respondeu dizendo: &lt;em&gt;“Amanhã será o último dia dela nesta biblioteca, pelo menos por um bom tempo&lt;/em&gt;.” Olhei com uma cara de decepção, e a funcionária prosseguiu me explicando: “&lt;em&gt;se lembra das tuas suposições sobre o que ela estava fazendo aqui? Uma delas estava certa. Ela é uma escritora, e está escrevendo o seu primeiro livro. Mas ela está no meio de uma crise de falta de inspiração, por isso resolveu recorrer a autores renomados pra ver se recupera o dom perdido. Outra coisa, ela me disse que vem amanhã mesmo só porque quer retirar um último livro, o “por que não pediram a Evans”, da Agatha Christie"&lt;/em&gt;. Neste dia, tive mais uma noite de sono tumultuada. Revirei-me a madrugada inteira pensando no que fazer para chamar a atenção daquela mulher. Quando acordei, finalmente havia pensado em uma solução. Ao chegar à biblioteca, a primeira coisa que fiz foi me dirigir à seção de literatura estrangeira. Procurei o livro que o meu amor platônico viria pegar, e ao abrir a primeira página, coloquei um bilhete com os seguintes dizeres: “vou ficar nu para chamar sua atenção”. Devolvi o livro à estante e retornei para minha mesa, apenas esperando a hora da chegada dela. À uma hora em ponto, sem um segundo de atraso, ela entrou na biblioteca e rumou cegamente em busca do livro que lhe faltava. Dois minutos depois, ela iniciou sua caminhada em direção à mesa de Dona Vera, mas no meio do trajeto, abriu a primeira página do livro e o bilhete que eu havia colocado caiu. Ao ajuntar o recado do chão e se deparar com a mensagem que lá estava, ela fez uma cara de muito espanto, e com um ar confuso amassou o papel e o colocou no bolso, já que não havia uma lixeira por perto. Missão cumprida. Na minha cabeça ela havia entendido o recado. Enquanto minha bela preenchia a ficha de retirada do livro, me levantei calmamente e comecei a me dirigir até onde ela estava. Tranquilamente fui me despindo, primeiro tirando os sapatos e chutando-os para um canto, depois livrando-me das calças (claro que tive que dar um rápida parada, senão levaria um belo tombo), e em seguida continuei o caminho desabotoando minha camisa. Em pouco tempo estava totalmente nu, e de longe já avistava a cara de “não estou acreditando” que Dona Vera fazia. Assim que a moça dos meus sonhos virou e me viu naquele estado, pronunciei as seguintes palavras: &lt;em&gt;“agora você sabe que eu existo!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-115722347723663428?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/115722347723663428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=115722347723663428&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/115722347723663428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/115722347723663428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2006/09/vou-ficar-nu-para-chamar-sua-ateno.html' title='&quot;Vou Ficar Nu Para Chamar Sua Atenção&quot;'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-115636212555330751</id><published>2006-08-23T16:37:00.001-03:00</published><updated>2010-05-07T23:53:59.534-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dois Lados'/><title type='text'>"Dois Lados"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2868/2987/1600/doislados.2.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2868/2987/320/doislados.2.jpg" style="cursor: hand; float: left; margin: 0px 10px 10px 0px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Por Rafael Pesce&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Cindy:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu encontro perfeito: Uma Noite nem tão fria, nem tão quente, com a luz do luar iluminando o caminho a minha frente. Um cara que marque de me pegar às oito e chegue no horário, mesmo sabendo que irei me atrasar por pelo menos uma hora. Um restaurante com clima intimista, a luz de velas, com Françoise Hardy tocando ao fundo. Um ambiente tranqüilo e charmoso, propício a conversas, risadas e quem sabe um beijo de despedida no final do encontro.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Tom:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu encontro perfeito: Pizza e sexo. Mas a parte da pizza pode ser pulada eventualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Cindy:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Conheci um cara legal nessa semana. Eu estava no Café Vermont tomando um capuccino, quando de repente minha atenção foi desviada para a porta de entrada. Por ela, entrou um sujeito beirando uns 30 anos, com aquele ar de quem não se preocupa com a aparência, mas que quando prestamos atenção, notamos que tudo está exatamente onde deveria estar. O cabelo estava meio despenteado, mas de um jeito bagunçado arrumado. A calça não combinava com a camisa, mas as cores formavam um mosaico que atraia a atenção de todos. A barba estava por fazer, criando um ar meio rústico, o que me deixou com um certo tesão. E ele sentou-se ao meu lado no balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Tom:&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta semana conheci uma garota fabulosa. Como é rotina no meu dia, fui tomar um expresso no Café Vermont. Logo quando entrei no lugar, meus olhos encontraram aquela bela mulher. Ela aparentava ter uns 25 anos, era morena e estonteante, daquele tipo “mulher pra casar”. Sentei-me ao lado dela no balcão, e rapidamente pensei em três possíveis assuntos para iniciar uma conversa: desenhos animados, filmes antigos ou o seriado &lt;em&gt;Lost&lt;/em&gt;. Havia uma grande chance de ela não gostar de filmes antigos, já que carregava consigo um dvd do &lt;em&gt;Piratas do Caribe&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;Lost&lt;/em&gt; seria um começo meio nerd, e eu podia cair na besteira de contar alguma cena inédita pra ela. Optei por cartoons, já que é do gosto de todo mundo, sem exceção. E funcionou perfeitamente. Depois de discutirmos sobre as aventuras do Tio Patinhas e da Maga Patalógica, peguei o telefone dela, e agora só me restava decidir em qual pizzaria a levaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Cindy:&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Como é típico dos homens, ele me ligou uma semana depois. Para piorar ainda mais, era final do mês, período em que minha menstruação estava para chegar. Atendi ao telefone e me surpreendi quando ouvi a voz dele do outro lado da linha. Ele notou minha aparente antipatia, e eu fui rápida ao responder que era por causa da TPM. Mal sabem os homens de um dos maiores segredos femininos: a TPM é um mito! Apenas uma desculpa para podermos ficar irritadas. Com este escudo chamado TPM em mãos, pude falar da maneira que queria, sem me preocupar em soar estúpida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tom:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei para ela uma semana depois. Eu confesso, me fiz um pouco, é verdade. Mas pelo jeito que ela atendeu ao telefone, o meu atraso não foi uma boa estratégia. Como costumeiro das mulheres, o motivo de tanto mau humor era a TPM. Tive que usar de muito jogo de cintura para reverter a situação, e depois de muito charme e chalálá, só faltava ela me chamar de “meu amor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Cindy:&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da demora em me ligar, acabei cedendo aos encantos dele. Confesso, ele exercia um grau de fascinação em mim que acabava impedindo qualquer tipo de repulsa que eu pudesse ter. Só teve uma coisa que não abri mão de jeito nenhum, a escolha do restaurante. Não queria passar a noite inteira me empanturrando de pizza, longe de mim. Acabei por sugerir um restaurante francês que tinha aberto na semana passada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tom:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, para não decepcioná-la, tive que abrir mão da pizza e encarar um escargot. Passei às 8 horas na casa dela, e escondendo a minha impaciência, esperei por cerca de uma hora até ela finalmente ficar pronta. Pelo menos valeu a pena, ela estava linda, e faria inveja a qualquer mulher que cruzasse conosco pelo caminho. O restaurante não era tão ruim assim, e como a comida não era muita, tivemos tempo de sobra para conversas e mais conversas, até finalmente decidirmos por um passeio noturno pós-janta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Cindy:&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ele começou muito bem. Chegou na hora marcada para me pegar, e não deu um pio em relação ao meu atraso. Caprichei no visual, usando um vestido novo que estava guardando para uma ocasião especial. O restaurante fazia jus à fama da comida francesa, e a trilha de fundo era excelente, indo de Françoise Hardy até Charles Aznavour. A companhia do meu par era ótima, e passamos momentos descontraídos em meio a conversas e taças de vinho. Depois da janta, resolvemos caminhar por aí, sem destino definido, apenas deixando a luz do luar iluminando nossa frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tom:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhamos durante horas, mas que pareciam minutos, mas bem que podiam ter sido dias, daqueles que parecem inacabáveis. Como já estava bem tarde, peguei o carro e a levei de volta para casa, meio que na esperança dela me convidar para entrar. Mas mulheres “pra casar” não fazem este tipo de coisa no primeiro encontro, e eu já estava conformado com isso. Nos despedimos com um beijo caloroso e a promessa de um encontro futuro. Depois de deixá-la em casa, passei na pizza hut e comi uma bela fatia de pizza. No final, parece que um encontro com pizza e sem sexo, não foi tão ruim assim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-115636212555330751?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/115636212555330751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=115636212555330751&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/115636212555330751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/115636212555330751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2006/08/dois-lados_115636212555330751.html' title='&quot;Dois Lados&quot;'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-115507852278534799</id><published>2006-08-08T20:04:00.001-03:00</published><updated>2010-05-07T23:54:25.822-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Café Vermont'/><title type='text'>"Café Vermont"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2868/2987/1600/Caf??"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2868/2987/320/Caf%3F%3F%20Vermont.4.jpg" style="cursor: hand;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Por Rafael Pesce&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu estava sozinho e precisando de alguém. Isso era um fato cientifico. Fazia dois meses que a incompreensível da minha namorada havia me colocado para escanteio, me trocando por um tipo que certamente entraria no meu Top 5 figuras detestáveis. Desde então, passei a não achar mais graça nas mulheres, apenas nela. Eu assumo, seu rosto ainda perambulava pelos meus sonhos, e momentos nostalgia, como olhar fotos antigas de nossas viagens e festas, eram comuns em meu cotidiano. Não gostava mais de conversar com as pessoas, todas vinham com o mesmo tipo de consolo banal, do tipo “você vai esquecê-la”, “logo você vai conhecer alguém”, ou então algo mais retrô, do tipo “há outros peixes no oceano”. A única pessoa que tinha permissão para adentrar a porta que me separava do resto do mundo era minha vizinha e melhor amiga, a Clara.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Querendo me animar um pouco, ela me convidou para ir ao Café Vermont, um lugar freqüentado por pseudo beatnicks e manequins de brechó. Mas o café deles era insuperável, daqueles que você fica sentindo o gosto até a hora de dormir.&lt;br /&gt;Chegamos ao Vermont e pegamos uma mesa escondida como de costume, e enquanto eu pedia gentilmente por dois expressos duplos, a Clara lia a última edição da &lt;em&gt;Revista Freakium&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você está lendo?&lt;br /&gt;- A nova edição da&lt;em&gt; Freakium&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;- Isso eu sei. (risos). Mas que matéria?&lt;br /&gt;- Uma entrevista rapidinha com o Odair José!&lt;br /&gt;- Você é fã dos bregas é?&lt;br /&gt;- Digamos que eles são os únicos homens que me entendem. (risos). E você, continua desiludido com as mulheres?&lt;br /&gt;- É...digamos que não vejo mais atração nelas.&lt;br /&gt;- Você virou gay?&lt;br /&gt;- Longe de mim...apenas parece que nenhuma mulher vai chegar aos pés da Bianca, sabe...então não consigo ver sentido nas outras, se é que você me entende.&lt;br /&gt;- Entendo. Eu gostaria de te ajudar sabe. Mas me diz uma coisa, qual o seu tipo de mulher?&lt;br /&gt;- Ah...é....como aquela ali!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, meus olhos aguçaram-se como há muito tempo não faziam, e uma figura que parecia não pertencer a este mundo entrou no Vermont. Ela tinha o cabelo encaracolado, tingido de vinho; olhos verdes, mas que podiam ser azuis; a boca não era carnuda, mas descrevia muitas possibilidades; o rosto era meio redondo, com um queixo e um nariz levemente arrebitado; o perfume era suave, e seu andar descompromissado chamava apenas a atenção necessária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aquele é meu tipo ideal de mulher!&lt;br /&gt;- Ah, sim. Mas ela não é grandes coisas. Parece ser meio blasé.&lt;br /&gt;- Vocês mulheres adoram fazer esse tipo de comentário, nunca acham as outras bonitas.&lt;br /&gt;- Não é assim, não seja injusto comigo. Apenas não a achei merecedora do seu encanto. Tem peixes melhores no oceano.&lt;br /&gt;- Até tu Clara. Se eu ouvir mais uma vez algum comentário deste tipo acho que vou surtar.&lt;br /&gt;- Calma...saiu sem querer.&lt;br /&gt;- Ok. Tu sabe que esses últimos meses tem sido complicados pra mim...até agora.&lt;br /&gt;- Sei. Por que você não vai lá falar com ela, ou pelo menos pedir o telefone.&lt;br /&gt;- Eu não quero te deixar aqui sozinha.&lt;br /&gt;- Estou bem acompanhada, lendo minha revista.&lt;br /&gt;- Mas como eu faço pra pegar o número dela? Meu celular foi roubado na semana passada, será que é muita pretensão minha pedir o número dela em um guardanapo?&lt;br /&gt;- Bom, isso só quem pode te responder é ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando finalmente eu havia tomado coragem para levantar e ir em direção à mesa, uma mulher beirando os 30 anos, segurando um bebê, entrou no Vermont, e adivinha só? Ela era amiga da anja cujo nome eu ainda não sabia. Após um longo abraço, elas sentaram-se, parecendo entusiasmadas com o encontro. Não consegui fazer uma leitura labial para descobrir sobre o que falavam, mas notei que olhavam para a criança com um largo sorriso no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Viu só?&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Ela gosta de crianças.&lt;br /&gt;- Como você sabe?&lt;br /&gt;- Ela não para de sorrir para o bebê.&lt;br /&gt;- E daí?&lt;br /&gt;- Como e daí. Quer dizer que sua teoria foi por água a baixo, mulheres blasé não gostam de crianças.&lt;br /&gt;- Como você sabe?&lt;br /&gt;- Eu apenas sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muito papo, elas começaram a mexer em suas bolsas, isso era sinal de que estavam se preparando para ir embora. Se eu não fosse lá agora, correria o risco de nunca mais vê-la, e consequentemente me corroer de remorso pelo resto da minha vida. Com as pernas tremendo de nervosismo, mas com um olhar confiante, parti em direção a mesa delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oie...me desculpem a intromissão, mas não pude deixar de notar a felicidade de vocês ao olharem o bebê. (Brilhante, será que não consegueria soar mais estúpido, mas agora já estava feito).&lt;br /&gt;- É que eu e minha amiga nos conhecemos semana passada, e hoje ela me convidou pra conhecer o seu lindo bebê. Na próxima semana eu vou apresentar o meu pra ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era possível. Ela também tinha um bebê. Neste momento fiz uma cara de decepção típica do Chaves, foi como se em um minuto eu tivesse cruzado uma estrada para o paraíso, e chegando lá topasse com uma placa com os dizeres de lotação esgotada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você também tem um bebê então?&lt;br /&gt;- Sim. Você leu aquele livro do Nick Hornby, &lt;em&gt;About a Boy&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;- Não, mas eu vi o filme com o Hugh Grant.&lt;br /&gt;- Bom, tirando que no final eles estragaram tudo, o filme não é tão ruim assim. Mas isso não vem ao caso. Você se lembra da SPAT (Single Parents – Alone Together)&lt;br /&gt;- Sim, aquele grupo de auto ajuda apenas de mães e pais solteiros que tem no filme.&lt;br /&gt;- Pois é. Nós fundamos um grupo parecido na semana passada, foi onde eu conheci a Nina. (mais tarde ela viria a me explicar que o grupo foi formado via orkut, quem diria!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O nome da amiga eu já sabia, agora só faltava descobrir como se chamava a minha deusa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Genial. Nina, a idéia foi sua ou da, da...desculpe, como é seu nome?&lt;br /&gt;- Me chamo Maria Luiza. E você?&lt;br /&gt;- Meu nome é Marvin.&lt;br /&gt;- Marvin?? Que nome peculiar!&lt;br /&gt;- É que minha mãe sempre foi uma grande fã do Marvin Gaye.&lt;br /&gt;- Jura? Acho que “Let´s Get It On” sempre será minha música preferida de todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo que sua presença era inútil no momento, Nina se despediu da amiga e de mim, nos deixando a sós. Neste momento, eu percebi que a minha amiga providencialmente já havia saído também, e agora eu podia me dedicar única e exclusivamente à Maria Luiza. Passamos o resto do dia descobrindo nossas afinidades, tomando litros de café e acabando com o bolo de chocolate do Café Vermont. No final, pedir o telefone dela em um guardanapo ficou até charmoso. Seria esse o começo de um novo amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-115507852278534799?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/115507852278534799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=115507852278534799&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/115507852278534799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/115507852278534799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2006/08/caf-vermont_08.html' title='&quot;Café Vermont&quot;'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-115414587525601501</id><published>2006-07-29T00:52:00.003-03:00</published><updated>2011-01-10T11:18:48.136-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Menina dos Peitos Grandes'/><title type='text'>"A Menina Dos Peitos Grandes"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img alt="" border="0" height="400" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2868/2987/320/supervixens.1.jpg" style="float: left; margin: 0px 10px 10px 0px;" width="283" /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Prefácio:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Esta crônica foi escrita há poucos meses para a aula de Redação Jornalística. A tarefa consistia em observar uma cena e depois descrevê-la da melhor maneira possível. Decidi publicá-la, mesmo com o medo das mulheres não gostarem dela. Mas como minha nota final foi um sonoro 9.5, acho que não tem mal nenhum!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ps: não tirei 10 porquê a referência no fim da crônica não é muito abrangente...mas mesmo assim o formato original foi mantido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;"A Menina Dos Peitos Grandes"&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;por Rafael Pesce&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fartos, enormes, suculentos, apetitosos, pelo vasto corredor da Faculdade de Comunicação Social passeiam aqueles peitos. Olhos aguçados, não apenas de todos os homens, mas também de algumas bipolares de plantão, observavam todo aquele charme desfilando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coitada daquela justa blusa branca decotada, tendo que segurar todo aquele “conteúdo”. Os biquinhos, fazendo uma leve pressão, pareciam estar clamando um pedido de liberdade. No ritmo da batida do coração, as pernas da menina se movimentavam, primeiro à direita, depois à esquerda, em um andar descompromissado. A bunda (grande, diga-se de passagem) balançava de um lado para o outro, em um movimento antagônico ao exercido pelas tetas. Enquanto suas nádegas mexiam de um lado para o outro, seus seios iam para cima e para baixo, cima, baixo, cima, baixo, cima, baixo, em uma melodia (pelo menos em minha mente) que emulava um carnaval de emoções, onde os peitos nada mais nada menos eram, do que o carro abre-alas. Os movimentos começaram a se tornar ameaçadores, paralisando o meu olhar e deixando a terra em transe. Parecia que o perigo não era apenas eminente para mim. Em um ato inconsciente, as meninas que passavam perto daquele objeto de desejo de dez entre dez americanos, escondiam seus pequenos e murchos seios com um caderno, pasta ou qualquer artefato que estivesse ao alcance. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação já estava ficando vergonhosa para essas pessoas, e a proteção feita por elas se tornava uma necessidade. Quando eu pensei que tudo aquilo já era demais para mim, eis que surge um novo par de exuberantes peitos, e eles vinham em direção aos seus “conterrâneos”. Em uma cena desengonçada, os seios espremeram-se um contra o outro, em meio a um caloroso abraço. As duas meninas resolveram sentar e tomar um café, porém não abandonaram meus olhos, que as seguiram insistentemente até a mesa do bar. A situação ficou quente quando uma das tetas recebeu um banho de café, mas rapidamente duas mãos munidas de um guardanapo foram ao auxílio das pobrezinhas, que agora já se encontravam a salvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após as garotas terminarem o café, os peitos foram embora com elas, mas a melodia cima, baixo, cima, baixo não abandonou minha mente por um bom tempo. Depois de ter visto todas essas cenas de um ponto privilegiado, posso dizer que me senti um figurante de luxo em um filme do Russ Meyer. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-115414587525601501?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/115414587525601501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=115414587525601501&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/115414587525601501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/115414587525601501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2006/07/menina-dos-peitos-grandes.html' title='&quot;A Menina Dos Peitos Grandes&quot;'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-115341706689585191</id><published>2006-07-20T14:29:00.000-03:00</published><updated>2007-12-12T16:19:52.293-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Um Affair Passageiro'/><title type='text'>"Um Affair Passageiro"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2868/2987/1600/affairpassageiro.0.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2868/2987/320/affairpassageiro.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;por Rafael Pesce&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Ela é francesa. Ele é inglês. Ela é loira, com o cabelo nos ombros, olhos azuis e o inconfundível charme francês. Ele é alto, um tanto quanto desengonçado, cabelo médio e levemente bagunçado. Ela usa vestidos, seja no inverno ou no verão. Ele não foge do básico: sapato, calça jeans, camiseta com estampa legal e casaco de terno com risca de giz. Ela gosta do Godard. Ele gosta dos Kinks. Ela mora em Nova York. Ele mora em Londres. Ela vai para Londres. Ele vai encontrá-la por acaso. Sim, eles vão ter um affair!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma típica tarde Londrina, Mark deixava a Marc &amp;amp; Spencer (famosa cadeia de lojas de roupas) rumo a parada de ônibus. Seu humor não era dos melhores. Havia dois anos que ele trabalhava no mesmo lugar, e seus colegas de trabalho continuavam a importuná-lo com trocadilhos referentes ao seu nome e o da loja. Para piorar a situação, era inverno. Seus dedos estavam congelando, e apesar de serem cinco da tarde, a noite já se fazia presente. Flocos de neve começaram a cair junto com o cortante vento que gelava a todos na rua. Enquanto o ônibus 149 não chegava, Mark escutava em seu I-Pod o &lt;em&gt;BBC Sessions&lt;/em&gt; dos Kinks. Enquanto seus ouvidos eram entretidos por Ray Davies e companhia, seus olhos não se desgrudavam de uma bela moça que tentava atravessar a tumultuada Essex Road, carregando sacolas de compras das mais diversas butiques inglesas. Atraído por aquela figura angelical que aparecera em seu caminho, Mark não pensou duas vezes ao oferecer ajuda para a linda mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá! Parece que você não comprou o suficiente hoje...&lt;br /&gt;- O que???&lt;br /&gt;- Hum...perdão, estava só sendo irônico. Na verdade eu ia te oferecer ajuda com todas essas sacolas. (Pelo visto ela não gosta de ironias, mau começo).&lt;br /&gt;- Ok! Sabia do popular senso de humor britânico, só não imaginava que seria vítima dele logo no meu primeiro dia aqui. Vou aceitar a sua ajuda, se pudermos ir até a próxima quadra, estou no Hilton aqui de Angel.&lt;br /&gt;- Claro! Será um prazer te acompanhar. A propósito, meu nome é Mark.&lt;br /&gt;- Sophie!&lt;br /&gt;- Prazer!&lt;br /&gt;- Prazer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles chegaram ao Hilton. Ela subiu com as compras. Ele ficou na recepção. Ela demorou alguns minutos. Ele viu algumas mulheres nuas no The Sun e leu as notícias esportivas do The Guardian. Ela desceu. Ele ainda estava lá. Ela o convidou para tomar um café no bar do hotel. Ele aceitou imediatamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das primeiras coisas que Mark percebeu foi o sotaque peculiar de Sophie. E a pergunta foi inevitável:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não é daqui, certo?&lt;br /&gt;- Não...moro em Nova York, mas nasci na França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(França...uma francesa!? 10 milhões de pessoas circulando por Londres e eu encontro logo uma...uma....uma francesa!! Meus antepassados certamente não aprovariam).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas era tarde demais. O charme e exuberância de Sophie impediam qualquer tentativa que Mark pudesse ter de querer odiá-la. Trocaram mais algumas palavras, onde ele contou sobre a sua rotina diária de trabalho e ela falou da estressante vida de uma artista plástica que está passando alguns dias na Europa na esperança de relaxar um pouco. Ele aproveitou a deixa, e pediu se ela gostaria de ir com ele a algum pub ou boate. Ela já conhecia Londres de uma outra viagem, roteiros turísticos não se faziam necessários nesse caso. O inglês então propôs:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu gostaria de te levar para um dos meus lugares preferidos, o 100 Club, ali no centro de Oxford.&lt;br /&gt;- Hum...mas o que tem lá?&lt;br /&gt;- Um grupo novo vai tocar. Chamam-se Pipettes.&lt;br /&gt;- E o que eles tocam?&lt;br /&gt;- Ah...na verdade são elas. Três meninas com vestidinhos de bolinha que emulam girl groups dos anos 60, aquela coisa meio Motown, acho que você vai gostar!&lt;br /&gt;- Confesso que é um programa nada usual para mim.&lt;br /&gt;- E se estivéssemos em Paris, para onde você me levaria?&lt;br /&gt;- Ah, para uma corrida no Louvre, como no &lt;em&gt;Bande a Part&lt;/em&gt; do Godard!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sophie não sabia o que era Motown. Mark não tinha idéia de que filme e diretor a francesa estava falando. Os dois pegaram um metrô até Oxford Street e rumaram para o número 100. Compraram os ingressos (como um bom cavalheiro, ele pagou), desceram as escadas, assistiram ao show, subiram as escadas e voltaram para a estação de metrô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, acho que nos despedimos por aqui. Quero acordar cedo amanhã para aproveitar meu último dia em Londres. À noite pego meu vôo de volta para os Estados Unidos.&lt;br /&gt;- Bem, acho que isto é um adeus.&lt;br /&gt;- Você quer que seja?&lt;br /&gt;- Hum...não sei, você quer?&lt;br /&gt;- Acho que não.&lt;br /&gt;- Concordo com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era quase meia-noite, por sorte conseguiram pegar o último metrô para Angel. Foram para o Hilton e subiram para o quarto de Sophie, onde tomaram champagne francês, se embebedaram como ingleses, e passaram uma noite inesquecível juntos. Acordaram por volta das duas da tarde no outro dia. Ao sair do hotel, pararam no primeiro restaurante que encontraram e pediram por um Fish &amp;amp; Chips. Enquanto as mãos engorduradas pegavam as batatas, Mark disse para Sophie que havia um último lugar em que ele gostaria de levá-la. Pegaram um ônibus e foram para Waterloo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei que não vai fazer muito sentido para você, mas eu precisava ver o pôr do sol aqui em Waterloo.&lt;br /&gt;- Realmente não faz muito sentido. Mas eu já desisti de tentar te entender...agora eu apenas estou tentando passar esses últimos momentos ao seu lado da melhor maneira possível. (risos)&lt;br /&gt;- E está conseguindo?&lt;br /&gt;- Pode apostar que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um último beijo, selaram o derradeiro encontro, enquanto o sol ia se pondo vagarosamente ao fundo. Em dois dias, finalmente o caminho dos dois toma um rumo diferente. Mark pega um ônibus de volta para casa, mas durante o trajeto recebe uma mensagem no celular: &lt;em&gt;“Oi amor...a mamãe já está melhor, estou voltando para Londres amanhã. Me espere com a janta feita. Te amo”.&lt;/em&gt; Sophie pega um metrô e volta para o hotel. Chegando no hall de entrada, pede para o recepcionista se há algum recado para ela. O funcionário entrega um bilhete para a francesa com os seguintes dizeres: &lt;em&gt;“Onde anda a minha esposa linda que não dá notícias? Te pego amanhã no aeroporto, um beijo. Te amo!”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mark e Sophie estavam cada um de um lado da cidade, mas o pensamento deles era o mesmo – “Quando será o meu próximo affair?”&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-115341706689585191?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/115341706689585191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=115341706689585191&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/115341706689585191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/115341706689585191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2006/07/um-affair-passageiro.html' title='&quot;Um Affair Passageiro&quot;'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31146615.post-115292559851333482</id><published>2006-07-14T21:49:00.000-03:00</published><updated>2007-12-12T16:12:56.148-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Tarde No Café'/><title type='text'>Tudo começou...."A Tarde No Café"</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2868/2987/1600/cafe.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="230" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2868/2987/320/cafe.jpg" width="316" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Fazia muito tempo que eu não escrevia contos.......tanto tempo que eu nem me lembrava o quão bom e prazeroso é fazer este tipo de texto. Há dois dias atrás, estava lendo um conto da minha amiga Sílvia Beatriz, de Curitiba. A primeira parte do conto é de autoria dela, e eu achei que a história era boa demais para ficar apenas naqueles parágrafos. Foi então que decidi escrever uma continuação, e o que eu já não esperava aconteceu: empolguei-me tanto que a minha vontade de escrever contos voltou, e até este blog aqui eu criei. Espero que gostem!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;prefácio: &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;A Bia não costuma dar nomes aos seus personagens, então pode parecer um pouco estranho os nomes de Malu e Roberto aparecerem repentinamente...mas é apenas mais um charme para a história.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tarde no café&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;por Bia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era quase 15 horas quando ela saiu do seu cursinho de inglês, foi andando pela rua com passos lentos e o pensamento longe, quando virou a esquina deu de cara com seu amigo. Bem, na verdade não eram exatamente amigos, conversavam quando se encontravam por acaso e duas ou três vezes se falaram pelo telefone rapidamente, mas as conversas eram como se fossem de amigos íntimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ele a convidou para tomar um café, foram até um lugar charmoso que ficava ali perto. Sentaram-se em uma mesa perto de uma das janelas grandes. Conversaram sobre música, sobre cursos, sobre a família e amigos comuns até chegar no assunto que ambos adoram: relacionamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sempre o achou elegante e bonito e ele a tratava super bem, elogiava sua beleza e a fazia se sentir a garota mais linda do mundo. Mas nunca conseguiram sentir nada um pelo outro além de uma amizade pura e ingênua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tarde no Café – Parte 2&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;por Rafael Pesce&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta para casa, ela sentou-se em sua poltrona de estimação, daquelas reclináveis, com o estofamento todo em couro. Ligou a televisão, mas os filmes da sessão da tarde já não a emocionavam da mesma maneira que faziam há dez anos atrás. Na verdade, ela não conseguia parar de pensar no encontro que tivera no café, e aquela outrora amizade, pura e ingênua, parecia aflorar em um sentimento novo e sincero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite chegara, e com ela, o sentimento de solidão que a assolava rotineiramente durante os últimos meses, período em que tentava esquecer as cachorrices aprontadas pelo ex-namorado, o qual ela havia conquistado com uma declaração apaixonada no meio de um baile de Jazz. O lado "A" do empoeirado vinil de Chet Baker estava perto do fim, e enquanto “My Funny Valentine” ia para o seu derradeiro final, a caderneta de telefones que estava no casaco da menina cai acidentalmente. Por ironia do destino, ou simplesmente por uma oportunidade do momento, o caderninho se abre na página sete, aquela que contém o número dele, Roberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô!&lt;br /&gt;- Alô, sabe quem está falando?&lt;br /&gt;- Hum...é você Malu?&lt;br /&gt;- Sim, sou eu...eu estava pensando...a nossa tarde no café foi tão adorável e o nosso papo fluiu tão bem.&lt;br /&gt;- É verdade, nem vi o tempo passar.&lt;br /&gt;- Eu estava pensando se você, por um acaso, se não estiveres ocupado, gostaria de vir no meu apartamento, estou com aquela caixa de dvds do Antonioni, achei que seria interessante dividir este momento com alguém...&lt;br /&gt;- Claro, estarei aí o mais breve possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a tensão de uma garota colegial que se preparava para o primeiro encontro, Malu tratou de disfarçar a bagunça e a falta de organização de seu apartamento com alguns incensos indianos, comprados no dia anterior. Enquanto Dinah Washington cantava as notas finais de “Cry Me A River”, a campainha do interfone toca, exatos 45 minutos depois da ligação para Roberto. Ela estava preocupada, seu vestido estava um pouco amarrotado, e o apartamento estava apenas aparentemente arrumado. Uma troca de olhares, um beijo no rosto e um singelo abraço. Um minuto depois, estavam os dois sentados no sofá da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na trilha de Herbie Hancock, começa Blow Up, o longa escolhido para iniciar a sessão de filmes. Porém, não conseguiram se concentrar muito na trama, já que no primeiro princípio de conversa, Antonioni foi colocado para escanteio. Roberto falou de uma nova banda que havia escutado, uma tal de Camera Obscura, e ela retrucou dizendo que já os conhecia, mas que preferia os originais, o Belle &amp;amp; Sebastian. Mas não demorou muito e o assunto relacionamentos foi posto na roda novamente. Malu contou sobre o incidente com o ex-namorado, e a ex-amiga que havia ficado com ele. Roberto contou sobre sua última namorada, e como os dois estavam tentando ser amigos, mesmo após a separação “pacífica” entre eles. Enquanto os créditos do filme desciam na tela, os olhares dos dois se encontraram, e não apenas o olhar. Os lábios que outrora não paravam de falar, beijaram-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia, de manhã bem cedinho, os dois acordaram. Estavam na mesma cama, com as mesmas roupas da noite anterior. Eles sabiam o que tinha acontecido, e havia a consciência de que momentos perfeitos como aquele só acontecem uma vez na vida, por isso, com o intuito de não estragarem a beleza do momento vivido, decidiram continuar suas vidas de encontros casuais em cafés a tarde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31146615-115292559851333482?l=contosdefleming.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosdefleming.blogspot.com/feeds/115292559851333482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31146615&amp;postID=115292559851333482&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/115292559851333482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31146615/posts/default/115292559851333482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosdefleming.blogspot.com/2006/07/tudo-comeoua-tarde-no-caf.html' title='Tudo começou....&quot;A Tarde No Café&quot;'/><author><name>Rafael Pesce</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_xpXxa6BwdQk/TKcyxfo4EMI/AAAAAAAAAPQ/BhbZsZdivSw/S220/fotoorkut3.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry></feed>
